O primeiro negócio 100% vegetariano de Luanda

Considerado um restaurante 100% vegetariano, é a solução para muita gente que não consome carnes, peixe e outros produtos industrializados. A iniciativa é do jovem Vidal Gonçalves que decidiu deixar de comer carnes, peixes e produtos industrializados

POR: Patrícia de Oliveira

Restaurante em Luanda existem muitos, mas vegetariano só mesmo Heliang Space, no shopping Tuafeni, na centralidade do Kilamba.O seu proprietário, Vidal Gonçalves, conta que a iniciativa surgiu de uma decisão que tomou há 10 anos de não mais consumir alimentos industrializados. “Tomamos a decisão em 2009. Dois anos antes comecei a ler sobre isso. Depois disso nunca mais toquei no peixe, na carne e noutros produtos”, lembra. Natural do Lobito, Vidal Gonçalves acrescenta que “certo dia cheguei a casa, retiramos todos os alimentos que estavam na despensa e na geleira e deitamo-los todos ao lixo, pois não queríamos mais continuar a consumir esses alimentos”. Depois nunca mais parou, até ter tomado a iniciativa de abrir um restaurante, onde confecciona mais de 27 pratos, todos eles vegetarianos, uma iniciativa que já garantiu 10 postos de emprego directos.

O jovem empreendedor de 38 anos que regressou à pátria há cinco, depois de muitos anos de emigração em Londres-Inglaterra, ergueu um espaço único, quer do ponto de vista do designer e do serviço que presta, procurando fazer a diferença. No restaurante Heliang Space pode-se encomendar um Hambúrguer, onde a carne substituída pela grão-de-bico. No bitoque, o habitual bife é substituído pela beringela panada. “O hambúrguer vegetariano é o mais solicitado. Com excepção do pão, tudo é natural, até o ketchup e a maionese”, enfatizou. Sem álcool, no espaço que tem capacidade para 20 pessoas consome- se apenas sumos naturais, feitos de frutas e legumes, sem açúcar, apenas adoçantes. Além da ementa, os proprietários, Vidal Gonçalves e a Etiandra (esposa), tratam de explicar aos clientes as vantagens de se ser vegetariano, um processo que conta com o apoio dos funcionários.

O negócio teve um investimento inicial, segundo o empreendedor, na ordem de Kz seis milhões, em várias fases. Mas o investimento continua. Para manter o restaurante, Vidal Gonçalves conta que compram os produtos no mercado local, nos Hipermercados e mercados informais de Luanda. “O objectivo é mudar os hábitos alimentares e pensar na saúde das pessoas, que consomem muitos produtos industrializados”, explica. Lembra que o espaço surgiu depois de um estudo que fez na zona do Kilamba, tendo constatado que havia um vazio, em termos de opções alimentares, que precisava ser coberto. Formado em gestão de empresas, Vidal Gonçalves garante emprego a mais de seis funcionários, numa primeira fase, admitindo alargar o número de postos de trabalho, quando o negócio crescer.

Dificuldades

Com cerca de um mês no mercado, e pela especificidade do negócio, Vidal Gonçalves conta que perdem muito tempo na conversa com os clientes, a sensibilizá-los para a importância de ser vegetariano. “É, na verdade, um dos constrangimentos que encontramos, uma vez que os clientes chegam aqui e perguntam logo se há cerveja (fino) e quando respondemos que não dão logo meia volta e deixam o espaço”, conta.

Projecto

Apesar da nova experiência em Luanda, Vidal Gonçalves já está atento à expansão do negócio. Com grande parte dos clientes a trabalhar no centro da cidade de Luanda, é para lá que o negócio vai expandir-se. Nesta altura, sublinha, há mais pedidos que pessoas presencialmente no restaurante.