Camarões regista 22 mortos durante um confronto na região anglófona na Sexta-feira

Vinte e duas pessoas foram mortas na Sexta-feira durante um confronto entre o Exército e um grupo de “criminosos” no Noroeste da República dos Camarões, apurou Sábado a AFP junto de um deputado da oposição.

“Vinte e duas pessoas foram mortas Sexta- feira em Menka durante um confronto entre o exército e um grupo de pessoas apresentadas como criminosas”, disse à AFP Nji Tumasang, membro do Partido Socialista da oposição anglófona a Frente Democrática (SDF) de Santa, o distrito onde Menka está localizado. Um oficial do exército confirmou o incidente, falando de “vários terroristas neutralizados”.

“Actividades de inteligência determinaram a presença de um grupo de terroristas em Menka” e o exército interveio para “cercar o hotel” onde estavam acomodados, explicou na sua página no Facebook o coronel Didier Badjeck, porta-voz do Ministério da Defesa. Mas, acrescentou, “um vigia deu o alerta (aos ocupantes do hotel), o que resultou em longas trocas de tiro por vários minutos”. Ele disse que “várias armas e munições foram apreendidas”.

Trocas de tiro

No Sábado, uma delegação da SDF, liderada pelo seu presidente Ni John Fru Ndi, foi a Menka, segundo Nji Tumasang, que fazia parte da delegação. “As pessoas da aldeia confirmaram que houve um tiroteio. Alguns corpos foram encontrados nos quartos do motel “, segundo o deputado da SDF. “Na aldeia, as pessoas não acham que são separatistas, mas sim criminosos” que estavam no hotel, explicou. Ele disse que outras três pessoas, incluindo uma suspeita de pertencer ao grupo hoteleiro e um motorista de motocicleta, foram presas num hospital numa cidade próxima e executadas por soldados. O mesmo MP disse na Sexta-feira que, segundo as “famílias” da aldeia, 18 pessoas foram mortas em Menka na Quinta-feira. Uma testemunha ocular lhe disse que oito corpos de jovens haviam sido encontrados.

“Forças de Restauração”

Nas regiões de língua inglesa do Noroeste e Sudoeste, os combates se tornaram quase que diários entre as forças de segurança dos Camarões e homens armados reivindicando as “forças de restauração” de um Estado anglófono que emergiu brevemente entre as duas guerras mundiais, sob mandato britânico. Inicialmente confinados a ataques aos símbolos do Estado (Esquadras de Polícia, gendarmaria), os separatistas começaram no início de 2018 a sequestrar funcionários francófonos e atacar empresas estrangeiras que eles acusam de apoiar Yaoundé. As autoridades camaronesas responderam à força, implantando um importante dispositivo de segurança nessas duas regiões. Segundo o International Crisis Group (ICG), “pelo menos 120” civis e “pelo menos 43” membros das forças de segurança foram mortos desde o final de 2016.