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Camponeses da Matala sem apoio técnico-material

Os camponeses pedem maior intervenção do Executivo no apoio técnico e material para o êxito das actividades agrícolas. Solicitam também a dissolução da Sociedade de Desenvolvimento do Perímetro Irrigado da Matala, na província da Huíla

POR: João Katombela, na Huíla

A cooperativa de camponeses que explora o perímetro irrigado da Matala, na província da Huíla, clama pelo apoio do Governo, para alavancar a actividade agrária e aumentar os níveis de produção. Segundo o Presidente da Associação de Agricultores do Perímetro irrigado do Município da Matala, o perímetro irrigado reúne condições para reduzir a importação de produtos do campo, como a cebola, a bata-rena e o alho. Victor Fernandes explicou que para que tal intenção seja efectivada, é necessário que o Governo preste o devido apoio aos homens do campo, com a criação de políticas direccionadas ao sector, como é o caso da retoma efectiva do Crédito de Campanha Agrícola.

“Nós temos condições para produzir tudo o que o país precisa em termos de produtos do campo, é só o Governo dizer-nos quantas toneladas de bata-rena, de cebola, alho ou milho são necessárias para assegurar a cadeia alimentar do país, nós produzimos. Mas, para o efeito, ele tem de apoiar a nossa actividade com a concessão de créditos para o sector agrícola”, disse. Com 600 agricultores controlados, organizados em sete cooperativas, os homens do campo enfrentam vários problemas no desenvolvimento da sua actividade, constrangimentos esses que vão desde à falta de material agrícola à falta de insumos. Segundo o Presidente da Cooperativa, à falta de material agrícola associa-se ainda o elevado preço do material gastável para a sua actividade ao longo do perímetro.

“Temos vindo a defender a subvenção de combustíveis para a nossa actividade e, por outro lado, quando estamos no processo de preparação das terras e na fase da sementeira, temos tido dificuldades na aquisição de sementes e de fertilizantes, gostaríamos que o Governo interviesses nesse sentido”, defendeu. Por seu turno, Daniel Chiwale, camponês associado, detentor de dez hectares, defende a necessidade de apoio do Executivo para aquisição de transporte do escoamento da produção. “Queremos apoio do Governo, pelo menos para a aquisição de meios de transporte que possam servir para o escoamento dos nossos produtos”, adiantou. José Manuel Caldeiras, proprietário de 20 hectares no perímetro irrigado da Matala, que advoga a necessidade de se criar um banco de sementes, que possa evitar a deslocação à Namíbia e África do Sul.

“Não podemos sempre estar a deslocar-nos para a vizinha República da Namíbia ou da África do Sul, é preciso que o Governo crie no nosso município um banco de semente, nós também podemos exportar”, assegurou. A falta de câmaras de frio para a conservação de sementes é apontada pelos camponeses associados, como sendo uma das dificuldades, com principal realce para os citrinos e cereais. Assim, a produção de sementes ao nível local pode reduzir a importação do produto. Para a solução destes e outros problemas, a cooperativa de camponeses do Perímetro Irrigado da Matala está a ensaiar um programa de produção de sementes ao nível local, com vista a deduzir a sua importação. A título de experiência, Victor Fernandes revelou que já existe um protocolo de cooperação entre a organização que dirige e a empresa FERTISEM, no sentido de trabalhar na melhoria das sementes de milho. “Nós estamos a fazer contactos com a FERTISEM para que, a partir do próximo ano, possamos ter sementes de produção nacional de milho, no sentido de que muitas regiões do país deixem de ter problemas neste sentido. Demos 15 toneladas de milho a essa empresa”, explicou.

Defendida dissolução da SODMAT

Por outro lado, os camponeses defendem a dissolução da Sociedade de Desenvolvimento da Matala, empresa vocacionada para a gestão do perímetro irrigado do município. No entender do Presidente da Cooperativa dos Camponeses da Matala, esta empresa pública não tem sabido desenvolver de forma satisfatória as suas tarefas. Victor Fernandes disse que a empresa há muito que deixou de desempenhar a sua função de gestora do Perímetro Irrigado da Matala, pelo que defende a sua dissolução. “É sabido que a SODMAT, neste momento, está inoperante, não tem recursos, o Estado já não aloca valores e agora só estão a criar dívidas com os trabalhadores. No nosso ver, e como acontece em vários países, os perímetros são da tutela dos agricultores, são criadas as cooperativas e são elas que gerem um perímetro como este, nós não vemos motivos de termos a SODMAT. Estamos preparados para gerir isso”, assegurou.

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