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“A maior dependência de um país é a importação”

O Presidente da República admitiu, Terça-feira, 29, que o país precisa de investimentos e conhecimento, para alavancar o sector agrícola

POR: Rila Berta, enviada a Toulouse, França

João Lourenço fez estas declarações numa visita de campo à cooperativa agrícola Arterris, localizada em Toulouse, Sul de França. Na ocasião, o Presidente da República enalteceu os feitos alcançados pelos agricultores franceses, tendo-se comprometido a trabalhar para que o país alcance a mesma organização. “Um país é Independente quando come aquilo que produz. A maior dependência é importar comida”, afirmou o Titular do Poder do Executivo. Por isso, referiu, os países, quanto mais organizados e industrializados estão, mais apostam no sector agrícola. O Titular do Poder do Executivo orientou, na ocasião, o ministro da Agricultura, a implementar medidas de modo a que país atinja níveis altos neste domínio.

De acordo com o Chefe de Estado, apesar de Angola estar localizada num espaço geográfico com características diferentes das de França, como o clima tropical, tem potencialidades para se tornar num grande produtor agrícola. O Presidente da República afirmou que a Agricultura hoje se faz com profissionalismo, sobretudo quando se pretende obter rendimentos altos. “Já não basta ter uma enxada na mão, porque o rendimento que se obtém por vezes não dá sequer para alimentar a família”, afirmou, reiterando a necessidade de organização, conhecimento e investimentos, apesar do apoio que o Estado dá. A cooperativa Arterris, criada em 2009, factura anualmente mais de mil milhões de euros e emprega e mais de dois mil colaboradores. Na última Segunda-feira, 28, o Chefe de Estado angolano foi recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, num encontro em que os dois países assinaram uma convenção no domínio da Agricultura, que, OPAÍS apurou, abrangerá o comércio e a formação de quadros.

Segundo Frederico Crespo, membro da associação dos empresários franceses em Angola, a Agência Francesa de Investimento disponibilizou 100 milhões de euros para investimentos em Angola. Nesta senda, o responsável garantiu que até ao final do ano vários empresários gauleses estarão a investir em Angola. Explicou que a criação de cooperativas pode ser uma solução para o desenvolvimento da agricultura em Angola. Por isso recomendou que os agricultores angolanos se unam, de modo a que não sejam somente os grandes agricultores a conseguirem alcançar bons resultados.

Cooperação com Angola é a nossa prioridade

No mesmo dia, o Presidente da República visitou o Liceu Agrícola de Auzeville, localizado em Toulouse, França. No encontro, a directora-geral adjunta do Ensino e Pesquisa do Ministério da Agricultura de França manifestou interesse em colaborar com Angola, no âmbito dos acordos assinados, para a formação de quadros angolanos. Valérie Badual afirmou a OPAÍS ser possível adaptar um modelo de ensino adequado à realidade do sector agrícola angolano, no âmbito dos acordos assinados entre ambos os países. A responsável referiu que o ensino agrícola técnico e profissional em França começa na infância, a partir dos 14 anos, nas formações profissionais, e se estende até ao doutoramento. Segundo informação disponibilizada pelo Ministério da Agricultura, mais de 144 mil estudantes frequentam a formação inicial escolar neste ramo; cerca de 33 mil fazem formação por alternância, enquanto 250 mil pessoas estão em formação contínua. Consta ainda, na informação, a existência de 806 centros de formação inicial escolar, 371 centros de formação em aprendizagem (formação profisssional) e 495 médios, sendo que o País tem mais de 19 grandes escolas de ensino superior de agronomia, agroalimentar, medicina animal e florestas.

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