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Itália continua em crise à espera do programa de governo de Cottarelli

A Itália aguardava esta Terça-feira pela proposta de governo de Carlo Cottarelli, que deve enfrentar sérios problemas para obter a confiança de um Parlamento dominado por populistas euro-cépticos. Cottarelli, 64 anos, ex-alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) apelidado “Sr. Tesoura” pelo seu papel na redução dos gastos públicos em 2013-2014, assume a chefia do 65º governo italiano, após o veto do presidente Sergio Mattarella a Paolo Savona, um Executivo populista que colocaria em risco a permanência na zona do euro.

O novo primeiro-ministro prometeu liderar um governo “neutro”, que garanta um manuseio “prudente” das contas públicas, tranquilize os mercados e a União Europeia (UE). Domingo, Mattarella vetou o euro-céptico Savona como ministro da Fazenda, o que precipitou a renúncia do advogado Giuseppe Conte, encarregado na semana passada de formar o novo governo. “Vou-me apresentar ao Parlamento com um programa que se obtiver o voto de confiança, prevê apenas a aprovação da Lei do Orçamento, após a qual se dissolverá (o Parlamento) para realizar eleições até ao início de 2019”, anunciou Cottarelli. No Parlamento, Cottarelli enfrentará o Movimento 5 Estrelas (M5S, anti-sistema) e a Liga (extrema-direita), maioritários e contra a sua nomeação.

“Neste caso, renuncio e o meu trabalho será o de conduzir o país a novas eleições para depois de Agosto”, declarou Cottarelli. Qualquer que seja o cenário, não terá vida fácil diante dos populistas italianos, que venceram as legislativas de 4 de Março e que denunciam um golpe de força após a rejeição do seu governo de união. “Tudo isso não é democracia, é um desrespeito ao voto popular. Trata-se de mais uma sacudida dos poderes que querem uma Itália escrava, empobrecida e precária”, declarou Matteo Salvini, chefe da Liga. “As eleições serão um plebiscito, o povo e a vida real contra as velhas castas e estes senhores do spread!” – apontou Salvini. “É muito difícil acreditar nas leis e instituições do Estado”, segundo Luigi Di Maio, do “5 Estrelas”, cujo partido obteve mais de 32% dos votos nas eleições legislativas de Março.

“Ok, vamos voltar às urnas, mas se eu conseguir 40% e voltar para o Quirinal com Savona, isso mudará alguma coisa”? Para a Liga e o 5 Estrelas, Savona, de 81 anos, defensor de um “plano B” para sair do euro, era o único capaz de defender os interesses da Itália diante de Bruxelas. “A designação do ministro das Finanças é sempre uma mensagem imediata de confiança ou alarme para os operadores económicos e financeiros”, justificou Mattarella, invocando as suas prerrogativas constitucionais e a defesa dos poupadores italianos. Silvio Berlusconi, assim como o Partido Democrata (centro- esquerda), ficou do lado de Mattarella na noite de Domingo. Mas os membros do seu partido- Força Itália, anunciaram que não darão o voto de confiança a Cottarelli.

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