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Total não vai despedir mais em Angola

A petrolífera francesa Total assegura que não vai fazer mais despedimentos em Angola, numa altura em que assina um acordo para a prospecção do bloco 48, vai desenvolver um campo marginal no bloco 17 e entra numa parceria para a distribuição de combustíveis com a Sonangol.

O presidente da petrolífera francesa Total, Patrick Pouyanné, garantiu em Paris que a petrolífera não fará mais despedimentos em Angola. Todas as grandes petrolíferas mundiais procederam a despedimentos significativos após o preço do barril de petróleo ter caído, no início de 2015, abaixo de USD 30. Angola não foi excepção, tendo as petrolíferas que operam no país procedido a ajustamentos na sua estrutura de custos por forma a enfrentar a nova realidade do mercado.

“Há uma vontade forte de criar um clima de confiança, o acordo negociado para o Bloco 48, em águas profundas nacionais, que irá ser operado pela Total, embora o consórcio seja participado em 50% por cada uma das empresas, foi primeiro concluído nos últimos sete anos, acentuou Patrick Pouyanné. Por outro lado, a Sonangol e a Total vão investir no desenvolvimento do projecto Zinia 2 em águas profundas, cerca de 1,2 mil milhões de dólares. O projecto Zinia 2 é uma nova área petrolífera no bloco 17, a 150 quilómetros da costa angolana, apresentando uma capacidade de produção de 40 000 barris diários.

O anúncio relativo ao projecto Zínia surge poucos dias depois de ter entrado em vigor legislação que desonera os investimentos privados nestes campos marginais ou satélites. A legislação que visa impulsionar o investimento e reverter o declínio da produção angolana reduziu para metade as taxas de impostos aplicadas aos campos marginais de petróleo. Com efeito, para os campos marginais, que a lei, que entrou em vigor a 18 de Maio, define como uma descoberta com reservas de menos nos de 300 milhões de barris, o imposto sobre a produção de petróleo foi reduzido para 10%, face aos habituais 20%, enquanto o imposto sobre a renda foi reduzido de 50% para 25%.

Distribuição competitiva

A Total, que está presente em 45 países em África, vai participar com a Sonangol numa rede de distribuição em Angola. O presidente da Total falou mesmo, a este respeito, num “novo clima em Angola”. Para Carlos Saturnino, a competição “vai ajudar-nos a melhorar o serviço e teremos benefícios com esta associação”. O presidente da Sonangol anunciou que “neste momento estamos a trabalhar com o Ministério dos Petróleos e dos Recursos Naturais para fazer a liberalização total da distribuição de combustíveis em Angola”. O objectivo da liberalização em curso é poderem participar no mercado o maior número possível de empresas. Nesta primeira fase de concretização da joint-venture entre as petrolíferas angolana e francesa, que possuem participações iguais na nova sociedade, foram seleccionados pela Sonangol alguns postos de combustível, entrando a Total com a componente financeira, a tecnologia e o ‘know-how’, esclareceram Carlos Saturnino e Patrick Pouyanné numa conferência de imprensa dada esta Segunda- feira em Paris, onde se encontra em visita de Estado o Presidente João Lourenço.

Estão, entretanto, a ser identificados projectos em que “a associação entre as duas companhias erguerá postos de abastecimento de raiz”, revelou Saturnino, que vincou que “a Sonangol não está a entregar os seus melhores postos de abastecimento nem a sua maioria, está apenas a entregar alguns após a análise estratégica efectuada. O presidente da petrolífera nacional lembrou ainda que “os custos na indústria petrolífera angolana não decorrem só do sector, mas de todo o ambiente empresarial que rodeia a exploração e produção de petróleo”, refutando haver um “preço de equilíbrio” e adiantando que o custo da produção de petróleo em Angola suporta custos muito abaixo de USD 80. A redução do preço afecta, contudo, as margens, reconheceu o presidente do conselho de administração da Sonangol. Saturnino escusou-se a adiantar uma previsão para a evolução do preço do crude este ano.

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