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França investe mais mil milhões de euros em Angola

Os empresários franceses estão de malas feitas rumo a Angola, fruto de vários acordos assinados entre ambos os países esta semana, que resultaram na disponibilização por parte da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e do Banco francês Crédit Agricole de financiamento para investimentos em diferentes sectores

POR: Rila Berta, enviada a Toulouse

Os empresários franceses têm disponíveis financiamentos avaliados em mil milhões de euros, para investirem em diferentes sectores da economia angolana. A informação foi avançada na noite de Terça- feira, 29, na cidade de Toulouse, França, pelo ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto. A AFD, por exemplo, disponibilizou 100 milhões de euros para apoiar investimentos privados que deverão ser destinados ao apoio ao sector agrícola. Por outro lado, foi também assinado um acordo de facilitação financeira com o Crédit Agricole para financiamento de projectos até ao montante de 500 milhões de euros.

Foi de igual modo, segundo o diplomata, assinado um acordo para apoio técnico à elaboração de projectos, avaliado igualmente em 500 milhões de euros. Há, igualmente, um pacote financeiro, além do que foi assinado no sector petrolífero, nomeadamente, o investimento que a petrolífera Total fará, quer na área de exploração quer da distribuição e na concepção de 50 bolsas de estudos para estudantes angolanos. “Se quisermos quantificar o envelope financeiro que resultou desta visita, podemos afirmar que passa os mil milhões de euros. Portanto, podemos considerar que os resultados foram para além das expectativas”, precisou.

Balanço positivo

O Presidente da República terminou, nesta Quarta-feira, 30, o seu programa de trabalho que teve a duração de três dias, na visita oficial à França. Em Paris, o Chefe de Estado foi recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron num encontro em que se passou em revista as relações bilaterais, a cooperação económica bem como as suas perspectivas. Os dois Presidentes testemunharam, igualmente, a assinatura de diferentes instrumentos de cooperação em diversos domínios, bem como reforçaram os laços de cooperação, que, segundo Manuel Augusto superaram as expectativas, permitindo que a França se tornasse um Parceiro Estratégico de Angola.

Presidente Kabila aguardado nos próximos dias

Os conflitos na República Democrática do Congo e na República Centro Africana, também mereceram atenção dos dois Chefes de Estado, que produziram uma declaração à respeito, aonde ambos os países se comprometem a cooperar no sentido de ajudar, precisamente na RDC, as autoridades e as outras forças políticas a realizarem eleições pacíficas, agendadas para Dezembro de 2018, conforme noticiou o País, Terça-feira. “Angola é um país vizinho da RDC e o seu interesse reside na necessidade de haver estabilidade e segurança nas suas fronteiras”, justificou. O Presidente da República manifestou disponibilidade em receber o Presidente Joseph Kabila em Angola para conversar, durante a sua intervenção na conferência de imprensa, após ter sido recebido por Emmanuel Macron. Manuel Augusto não precisou a data, mas afirmou que a deslocação de Joseph Kabila para Angola já está ser preparada, estando agendada para os próximos dias.

Angola na cimeira dos BRICS em Julho

Manuel Augusto anunciou que o país vai participar do próximo encontro dos BRICS, agendado para o próximo dia 27 de Julho na África do Sul. “O Presidente foi convidado e estará presente”, garantiu.Relativamente à pretensão de Angola em tornar-se membro da Organização Internacional da Francofonia, explicou que o país está a trabalhar para conseguir o estatuto de membro observador. Tendo justificado que o facto de Angola fazer fronteira com países francofonos e anglofonos leva a que o País se aproxime das organizações a que estes países pertencem.

Angolanos residentes em França querem votar em 2022

A comunidade de angolanos residentes em França manifestou a preocupação de participar nas eleições de 2022. Segundo Simão Bovolo, presidente da Confederação das Associações de Angolanos, em França, que falava no encontro da comunidade angolana naquele país e o Presidente da República, que se realizou no início da noite desta Terça-feira na Mediateca Jean Cambani Toulouse. Simão Bovolo solicitou também que se envie uma comissão que apoie o registo dos cidadãos que não têm o registo de nascimento. Também solicitaram apoio para a criação de uma Casa da Cultura em Paris. O responsável garantiu total apoio, por parte da comunidade para a mobilização do investimento estrangeiro. Cerca de 200 angolanos participaram no encontro que aconteceu esta Terça-feira, 29, na cidade de Toulose. Estima-se que mais de 70 mil angolanos vivem em França e estão filiados nas mais de 129 associações existentes.

Presidente reafirma compromisso de combate à corrupção

Em França, o Presidente da República manteve dois encontros com a comunidade angolana que ali reside. O primeiro aconteceu na noite de Segunda-feira em Paris, aonde acompanhado da primeira- dama, Ana Dias Lourenço, confraternizou de modo informal, na embaixada de Angola. O segundo, aconteceu em Toulouse, na noite de Terça-feira, num encontro que reuniu cerca de 200 angolanos, em que João Lourenço afirmou que a prioridade do país é trabalhar para melhor organizar a Economia. Por isso pediu a todos angolanos, residentes no país ou no exterior, que participem neste desafio. Durante a sua intervenção, João Lourenço afirmou que o país só será capaz de desenvolver a sua Economia, deixar de depender do petróleo, se for capaz de desenvolver o sector empresarial privado nacional, capacitando-o, para, referiu, cobrir o espaço que hoje é ocupado “erradamente” pelo Estado.

Afirmou que o Estado não deixará de cumprir o seu papel, no que se refere à produção de bens e serviços, mas que deve haver equilibrio. Por outro, esclareceu ser importante a participação activa do sector privado estrangeiro. Por isso, falou das reformas que o Estado angolano vem implementando, como a alteração da Lei do Investimento Privado, o processo de facilitação e isenção de vistos. “Não se pode aceitar que nós deixemos entrar o dinheiro de alguém que quer investir no país, mas não deixamos entrar o dono do dinheiro”, referiu. O Presidente comparou a corrupção a um cancro, com capacidade de destruir a Economia e a esperança de um povo. “Nós estamos empenhados nesta luta, sabemos que é difícil, é longa, não é possível estabelecer uma meta para acabar com a corrupção”, afirmou, ressaltando que se continuará a trabalhar para o mais rápido possível acabar com este fenómeno. Pediu a participação de todos os angolanos para combater a corrupção. “Apelo para que todos se juntem a esta campanha, que vai criar alguns desentendimentos e mal-estar mas que não tem retorno. Estamos numa fase que não podemos olhar para trás”, apelou

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