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Zungueiros e agricultores no Cubal podem criar Cooperativa de Jovens Necessitados

A direcção municipal de Agricultura do Cubal, que no presente ano dispõe de 1,414 hectares de terras cultivadas, garante que o município dispõe de condições suficientes para receber a primeira cooperativa agrícola que garantirá emprego a jovens vendedores ambulantes

POR: Domingos Bento

Arrancou ontem, no município do Cubal, província de Benguela, o processo de avaliação, acreditação e implementação da primeira cooperativa agrícola criada com o propósito único de retirar jovens provenientes da zona sul do país, e que exercem a venda ambulante em Luanda. Durante a sessão de discussão e avaliação do espaço onde será implementado o projecto, José Cassoma, presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes, declarou que a sua organização está pronta para o arranque do projecto que, numa primeira fase, vai oferecer oportunidade de trabalho a cerca de 40 jovens necessitados que, neste momento, recebem formação específica na área de preparação e manuseamento de ferramentas agrícolas.

Segundo o responsável, dos jovens seleccionados, dez são da província do Huambo, 15 de Benguela e outros 15 do Cuanza- Sul. Todos os beneficiários exerciam a actividade de venda ambulante, em Luanda, e foram seleccionados mediante um processo de avaliação das suas condições de vida. O projecto estava previsto para arrancar em Outubro do ano passado, mas questões burocráticas no seio das instituições do Estado ditaram o seu do adiamento. Agora, com as discussões em curso com a direcção da Agricultura, Pescas e Veterinária do município do Cubal, tudo indica que o projecto arrancará nos próximos dias. “Entramos num processo que há muito estávamos à espera.

Durante a semana vamos visitar as áreas apontadas pelo Governo, para ver se começamos a trabalhar para criar sustento e meios de sobrevivência para os zungueiros e suas famílias, que muito pretendem transformar a sua qualidade de vida”, ressaltou. Por seu turno, Irineu Reis, director municipal da Agricultura, Pescas e Veterinária do município do Cubal, disse ao OPAÍS que, em breve, a sua instituição prestará todo o apoio para o arranque da iniciativa. Nesse momento o município precisa de investimentos que potenciem os esforços do Governo nas acções de combate à fome e à pobreza. “Vamos apontar os melhores espaços, conversar com as autoridades tradicionais e disponibilizar os técnicos que vão avaliar todo o processo de viabilidade e de risco. Vamos prestar todo o apoio necessário”, garantiu.

Segundo ainda Irineu Reis, o município do Cubal dispõe de água e terra suficientes para um desempenho exitoso de projectos agrícolas. O responsável deu a conhecer que só no ano agrícola 2017/2018, o município dispôs de 1,414 hectares de terras cultivadas e preparadas com a ajuda do Estado. Em relação à cifra apurada, embora neste momento ainda estejam em curso a colheita e a avaliação do ano agrícola, os indicadores apontam para um acréscimo de 25% na produção, um resultado superior ao da época passada.

Este aumento, embora ainda não seja na percentagem desejável, deveu-se ao facto de no presente ano agrícola ter ocorrido um índice de chuvas superior. Tal como esclareceu, o município recebeu quedas pluviométricas na ordem dos 467, 2 milímetros sendo que, 118 milímetros foram registados no mês de Janeiro, 193,2 milímetros no mês de Fevereiro, e 156 no mês de Março. No que se refere aos fertilizantes, Irineu Reis confessou que a quantidade recebida no ano agrícola 2017/2018 não foi suficiente, porém um esforço foi feito no sentido de fazer-se uma distribuição equitativa, especialmente nas comunidades mais carenciadas.

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