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Supostos marginais amedrontam escolas públicas em Luanda

Um grupo de marginais que supostamente está a aterrorizar as escolas de Luanda, com ameaças de violação sexual, mortes e ferimentos com objectos contundentes (alegadamente infectados) leva os estudantes a abandonarem as aulas. A Polícia não (des)confirma a existência do grupo, pelo que procura por provas substanciais

POR: Romão Brandão

A legações referentes à existência de tal grupo, intitulado “Cuna Mata”, tiveram início nas redes sociais, cujo teor dava conta que os membros daquela quadrilha supostamente terão saído de cadeias e estavam dispostos a “violar, matar ou infectar com HIV os estudantes das escolas de Luanda. A cada hora, dada a rápida propagação da informação nas redes sociais, chegavam relatos de várias escolas, maioritariamente afectas ao município de Viana e ao distrito do Calemba II, de que estavam a ser atacadas pelo referido grupo. Instaurou-se o pânico na Escola de Formação Técnica de Saúde, da Centralidade do Kilamba, ontem, por volta das 14h, onde os estudantes puseram-se em fuga, com alegações de que estava, por ali, o grupo “Cuna Mata”.

Na escola 1228, no Camama, os pais e encarregados de educação foram à busca dos educandos pelos mesmos motivos, bem como os professores foram dispensados pela direcção, no período da tarde, em razão de tais alegações. Os relatos chegaram ainda de escolas do bairro Kapalanga, da Vila de Viana, do Calemba II, segundo as quais o grupo de marginais andavam com seringas, facas e outros objectos contundentes para aterrorizar os estudantes. No Kapalanga, chegou-nos também a informação de que a população capturou dois dos membros do grupo. Este jornal ouviu o porta-voz da Polícia Nacional, superintendente- chefe Lázaro Conceição, que disse ter conhecimento da circulação nas redes sociais desta informação, e que tão logo chegaram as primeiras denúncias criaram equipas para comprová-las.

“Nada foi constatado até ao momento. Temos ainda a informação de que alguns encarregados de educação estão a proibir os seus filhos de ir às escolas. O Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional tranquiliza os munícipes de Viana, e apela àqueles cidadãos que, em caso de alguma informação disponível, denunciem pelo terminal 914 041 039”, declarou. Sempre que recebem denúncias do género, disse, têm prontamente se deslocado para constatar o alegado facto in loco. Por outro lado, a maior parte das pessoas que fugiu não chegou a ver nada nem ninguém.

Fogem apenas porque disseram- lhes que o grupo se encontrava no local. “Até que consigam nos provar o contrário, isso não existe. É a teoria do pânico: todos ouviram dizer, nunca encontramos uma pessoa que viu. Entretanto, estamos a investigar para apurar a veracidade dos factos. Não há nenhuma pessoa que aparece publicamente a dizer que foi vítima”, sublinhou. Por outra, disse que a Polícia, desde Quarta-feira, faz diligências à volta dos relatos de mortes, mas o certo é que a Polícia afirma não ter sido ainda chamada, nesse período, para remover corpos nesta circunstância. Entretanto, nas próximas edições, o jornal OPAÍS trará mais detalhes sobre o assunto.

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