Economia angolana e conflitos na RDC em análise na capital da Europa

O Presidente da República chegou neste domingo, 3, a Bruxelas, para uma visita oficial com duração de dois dias, que tem início hoje, Segunda-feira

Texto de: Rila Berta, em Bruxelas

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, disse ontem à imprensa, em Bruxelas, que se trata de uma visita importante, porquanto o Presidente da República vai discutir com o Rei da Bélgica e com o chefe do governo, o primeiro-ministro Charles Michel, o conjunto de acções que conformam hoje as relações bilaterais entre os dois países.

“E ver como reforçar e tornar possível acções que possam elevar o nível das nossas relações, económica, política e técnica, para o nível que as relações políticas têm”, disse.

Em Bruxelas estão estabelecidas as sedes das grandes organizações mundiais, tais como a União Europeia (UE) e a Organização de Tratado Atlântico do Norte (OTAN).Segundo o programa que OPAÍS teve acesso, durante a sua estada, o Chefe de Estado angolano vai manter audiências com responsáveis de alguns destes organismos internacionais, como a alta representante da União Europeia para a Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Manuel Augusto explicou que durante os encontros serão discutidas as relações bilaterais e multilaterais. Por outro lado, o chefe da diplomacia angolana confirmou que o processo político na República Democrática do Congo e as eleições naquele país constarão dos temas em abordagem entre o Presidente João Lourenço, as autoridades belgas e responsáveis da UE.

“A abordagem deste tema é feita, por nós, por sermos vizinhos e por sermos o país responsável pela paz, segurança e defesa na África Austral. O Presidente João Lourenço tem, não só o dever, mas a obrigação de discutir, acompanhar e de intervir em todos os assuntos que digam respeito à paz e segurança na nossa região”, justificou.

A agenda de trabalho do Presidente da República começa com uma visita à escola Royal Militar. Está também previsto, para hoje, Segunda-feira, um encontro com membros das associações da comunidade angolana na Bélgica. De acordo com o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, em entrevista à OPAÍS e a RNA, concedida no sábado, será realizado um fórum económico com a classe empresarial belga , à semelhança do que aconteceu em França.

“Neste encontro, o Presidente da República vai explicar a evolução económica de Angola e os avanços que estão a ser feitos, sobretudo a nível de investimentos”, explicou. Para Manuel Nunes Júnior, as prioridades de Angola passam pela diversificação da economia, de modo a permitir que se crie um ciclo económico, aonde o produto de exportação não seja só o petróleo.

“Nós conseguimos fazer isso, desde que consigamos as parcerias mais apropriadas”, garantiu. Para que tal aconteça, explicou ser necessário que sejam feitos mais investimentos, sobretudo no sector da agricultura. “Porque o país tem de se tornar eficiente do ponto de vista alimentar, nós não podemos continuar como estamos hoje, em que quase tudo o que consumimos é importado”, disse.

O Presidente da República chegou na manhã de ontem, Domingo, 3, a Bruxelas, acompanhado pela primeira-dama, Ana Dias Lourenço. Fazem parte da comitiva ministerial que acompanha o Presidente da República na Bélgica o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto; o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, o ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca e responsáveis dos órgãos auxiliares da Presidência da República.

Angola aos olhos do mundo

O Presidente da República efectuou, na semana passada, uma visita oficial de três dias à França. Em Paris, o Chefe de Estado foi recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, num encontro em que se passou em revista as relações bilaterais, a cooperação económica bem como as suas perspectivas.

Os dois presidentes testemunharam, igualmente, a assinatura de diferentes instrumentos de cooperação em diversos domínios, bem como reforçaram os laços de cooperação que permitiram que a França se tornasse num parceiro estratégico de Angola.