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Polícia acusada de reprimir tentativa de manifestação no Huambo

As autoridades negam, afirmando terem saído à rua apenas para assegurar a procissão da Igreja católica

Texto de: Norberto Sateco

Um grupo de jovens da cidade do Huambo, auto- denominado “Movimento revolucionário”, acusou os efectivos da Policia Nacional de ter reprimido a tentativa de manifestação contra o alegado nepotismo da actual governação de João Baptista Kussumua.

Segundo um dos organizadores, identificado por Benedito Joaquim, tudo aconteceu quando o grupo de jovens procurava concentrar- se nas primeiras horas da manhã deste Domingo,03, no largo do mercado municipal. Foram surpreendidos por efectivos da Policia Nacional munido com armas de fogo e cães, inviabilizando o referido protesto, alegando que era ilegal.

Os jovens pretendiam percorrer as principais artérias da cidade e culminar no largo “Dr António Agostinho Neto”, junto ao Palácio do Governo daquela província “ Assim nós estávamos a nos preparar para reunir surgiu a Polícia com os cães e impediu que a manifestação tivesse início”, resumiu um dos organizadores do protesto, para quem o impedimento representa uma clara violação ao disposto na Constituição da República de Angola e aos ditames do estado de Direito e Democrático.

Com idades compreendidas entre os 25 a 35 anos , os jovens reafirmaram estar agastados com actual governação, uma vez que consideram que as pessoas afectas à família do governador foram as únicas colocadas em lugar cimeiros, deixando de parte, dizem, “os quadros locais com competência similar”.

“Não se compreende como é que em todos os locais-chave o governador colocou os seus familiares, como, por exemplo, no Gabinete do Planeamento, no cargo de vice-governador para área Social e Politica, Obras Públicas e Urbanismo, na Saúde e outras áreas importantes daquele executivo”, disse Benedito Joaquim, para quem a situação tem estado a criar uma onda de indignação no seio da população, por afectar o desenvolvimento daquela província.

Outro aspecto levantado como sendo “paradoxal” refere-se ao discurso da actual governação aquando da sua tomada de posse, muito antes das últimas eleições, onde se apregoava uma governação participativa envolvendo os quadros locais. “ Não passou de um mero exercício populista, uma vez que os factos a que se assiste após a realização das eleições demonstram o contrário”, desabafou.

Quanto à justificação do governo tornada pública na última Quinta- feira, em que se alegava ter havido determinadas irregularidades, os jovens revolucionários dizem não colher, porque dizem ter cumprido com todos os pressupostos. Enviaram uma carta dirigida às autoridades a anunciar a greve e os motivos da mesma a semana passada, em que as autoridades acusaram a sua recepção.

Entretanto, o documento do Gabinete Institucional do Governo do Huambo, a que o OPAÍS teve acesso, refere que a manifestação foi avisada de forma tardia e também peca por não cumprir com alguns pressupostos legais e éticos. Um deles por carecer de fundamentos para a sua realização. “

O documento elaborado, enviado para o Governo, não tem qualquer credibilidade pela forma como está estruturado”, resumiu a este jornal Alberto Chinhama, porta-voz do Governo do Huambo.

O porta-voz da Policia Nacional considerou a informação de infundada, tendo admitido apenas ter saído à rua um efectivo para asseguramento de uma actividade religiosa que reuniu mais de quatro mil membros.

“ Não houve nada que tivesse havido com a manifestação senão a procissão da Igreja Católica, por isso é que as forças saíram à rua para garantir esta actividade”, informou Martinho Cavita.

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