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INAC com falta de recursos para apoiar crianças de rua em Benguela

A repartição provincial do Instituto Nacional da Criança (INAC ), em Benguela, há sete anos que está desprovida de recursos humanos e materiais para realizar parte dos trabalhos de apoio às crianças de rua, segundo a responsável interina da instituição

POR: Zuleide de Carvalho,
em Benguela

Quer pela inexistência de transportes, equipamento informático ou dinheiro, as acções outrora desempenhadas em prol das crianças de rua tendem a extinguir-se ano após ano. Duplamente limitado, o INAC em Benguela vive uma escassez de pessoal e de bens. A directora provincial interina do Instituto Nacional da Criança em Benguela, Rosa Francisco, admitiu que a repartição já foi mais activa, contudo, de 21 passaram para apenas seis funcionários. Ciente das atrocidades pelas quais as crianças de (e na) rua são vítimas diariamente, a directora disse que antes faziam rondas, recordando que já não o fazem há cerca de 7 anos. Naquela altura, o departamento tinha orçamento para fazer patrulhas nocturnas e distribuía cobertores às crianças, no Cacimbo.

O último levantamento estatístico feito no município sede, há um ano, contabilizou, na altura, 341 crianças a trabalharem e/ ou a viverem nas ruas, com idades compreendidas entre os oito e os 17 anos de idade. Há no departamento registos antigos, de antes de 2017, sobre os índices de escolaridade das crianças cadastradas, mas não existe uma base de dados fotográfica, nem o censo das mortes desses miúdos que não são seguidos por adultos. Para possibilitar que isso aconteça, a encarregada diz precisar de ajuda. “No passado, as pessoas eram mais abertas, entregavam- se mais às causas da criança. Com a crise, as pessoas fecharam- se, quase ninguém tem para dar”, sublinhou.

Nas ruas há mais rapazes do que meninas

Por algum motivo que a dirigente não soube explicar, apesar de haver maior população feminina do que masculina localmente, nas ruas, a morar e a trabalhar, a grande maioria são os rapazes: 264. A minoria, mas um número também preocupante, são as meninas, registando-se 77, na época. Separadas por áreas de trabalho, as crianças aglomeram-se em pontos estratégicos, nas artérias da cidade das Acácias Rubras, de acordo ao maior grau de rentabilidade que cada região detém. Muitos são nómadas. A Zona B, segunda mais populosa do município, concentra maior fluxo económico. Congregava igualmente, no segundo trimestre de 2017, grande parte das centenas de crianças que labutam nas ruas, 58, sendo 39 meninos e 19 raparigas. Desse total de 341 crianças, estando misturados meninos e meninas de e na rua, Rosa Francisco fez saber que, maioritariamente, “são as crianças de rua”, ou seja, que dormem noite após noite ao relento.

Em verdade, como as próprias crianças testemunharam a este jornal, em reportagem publicada a 1 de Junho, várias vezes fogem de casa por razão alguma, apenas porque “gostam” dos vícios que as ruas prorcionam. Porém, segundo a dirigente do INAC, para que as crianças troquem os lares pelas ruas, “o factor principal é a pobreza nas famílias”, dado obtido nos inquéritos anteriormente submetidos às crianças de rua. Assim ficaram a saber que crianças há que não têm família nem a quem recorrer, outras são expulsas de casa e rejeitadas pelos progenitores, outras ainda são obrigadas a ser pedintes para sustentar os adultos. Existem outras que fogem dos constantes abusos e violência aos quais são sujeitos por baixo do tecto e alçada de quem os deveria proteger contra tudo e todos, os próprios pais.

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