Andgraf inaugura exposição “Andromonomanomia” amanhã na UNAP

A mostra que ficará patente até 29 do corrente mês comportará 25 quadros de pintura sob técnica mista e colagem, com materiais reciclados, uma iniciativa em homenagem ao artista espanhol Salvador Dalí e o norte-americano Jean-Michel Basquiat

POR: Antónia Gonçalo

O artista plástico Sombra Andgraf inaugura amanhã, 7, às 18 horas, na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), a sua primeira exposição intitulada “Andromonomanomia”. A mostra que ficará patente até 29 do corrente, comportará 25 quadros de pintura sob técnica mista e colagem feitos com materiais reciclados, bem como algumas esculturas de cabeça de boi, obras estas produzidas desde 2013. Para o artista, a exposição é de grande importância não só por ser a sua primeira, mas também porque permitirá o público angolano tomar contacto com o seu talento e traços artísticos. “Será a minha primeira exposição com quadros de artes plásticas e esculturas.

Acredito que as pessoas devem estar ansiosas para ver o trabalho, uma vez que o Andgraf é mais conhecido pela arte urbana, o grafiti”, realçou. Quanto ao tema da exposição, Andgraf referiu que “todo o artista tem uma mente criativa, por isso decidi criar uma linhagem minha, porque Andromonomanomia é baseada em linhas orgânicas, que possuem linhas onduladas”. O artista dividiu o tema da exposição em duas partes, sendo que “Andro”, segundo o artista, deriva da palavra android, que são máquinas, enquanto “Monomanomia” da palavra “Monotomia” relacionado com objectos do quotidiano.

Homenagem

Nesta sua primeira exposição, o artista vai homenagear duas figuras internacionais cujas obras lhe influenciaram no mundo das artes plásticas. Trata-se do artista espanhol Salvador Dalí e o norte-americano Jean-Michel Basquiat, falecidos na década de 80. Andgraf realçou que, aos 14 anos de idade, soube da existência dos dois artistas através de uma matéria jornalística, tendo imediatamente se identificado com a história de ambos e passado a pesquisar sobre os mesmos. “Jean-Michel Basquiat teve uma história semelhante à minha. Perdi os meus pais aos cinco anos de idade e vivi na rua durante muito tempo. Posteriormente passei a viver em centros de acolhimento. Infelizmente ele teve uma morte trágica, mas mesmo assim não podia deixar de homenageá-lo”, considerou. Quanto ao espanhol Salvador Dalí, tido como um dos grandes cultores do surrealismo, realçou que foi influenciado pelas suas obras, porque “o surrealismo é uma arte fora do normal. Ele fazia misturas estranhas, mas que combinavam”. O artista realçou que foi também influenciado por artistas angolanos como Benjamim Sabby, Don Sebas Cassule, Guilherme Mampuya e Adão Mussungo.

Solidariedade

O artista avançou que as receitas a arrecadar das obras que comercializar, além serem revertidas na aquisição de material para a produzir as suas obras, servirá ainda para a realização de uma Sopa Solidária destinada às crianças de rua, em Julho. Andgraf revelou ainda que a exposição estava prevista para o mês de Maio, porém preferiu realizá-la no mês em curso, o mês das crianças – um momento especial para elas, marcado por várias actividades, como os centros de acolhimento nos quais residiu. “Passei por situações idênticas, e eramos ajudados por pessoas de boa-fé. Hoje, quando é possível, procuro retribuir aquilo que um dia foi-me feito. Em 2013 e 14 realizei um evento do género e pretendo continuar com esses propósitos”, ressaltou.

Artes plásticas

Andgraf já participou em várias exposições colectivas, uma das quais em grafite, em 2009, onde o seu trabalho ganhou alguma notoriedade. Em 2015, participou no Festival Internacional de Banda Desenhada Cartoon e fez uma pintura ao vivo que foi apreciada pelo público. Participou ainda no FENACULT de 2014, com o mural na Avenida 21 de Janeiro e na Ilha de Luanda. O artista referiu que a sua participação nestes eventos motivaram- lhe a prosseguir na arte, trabalhando, tanto nas ruas, fazendo grafite, como a pintar quadros.

O pintor adianta que começou a pintar aos cinco anos de idade e, actualmente, tenta transmitir a sua arte aos mais novos. Actualmente, dá formação em belas artes na Aldeia das Artes Menino do Mussulo, um projecto que apoia mais de 1500 crianças e jovens desfavorecidos da Ilha do Mussulo, na vertente de vários ofícios, de modos a alcançarem a integração na sociedade. O seu grande sonho é concretizar o seu projecto no universo da formação em belas artes para crianças. “Pretendo arranjar um espaço onde possa dar aulas às crianças, de modos a tirá-las das ruas. É um projecto que temos idealizado, mas precisamos apenas de um espaço para a sua implementação”, sublinhou.