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Londres espera por visita de João Lourenço

O “piscar de olho” do Presidente João Lourenço à Comunidade Anglófona na sua recente entrevista a Euronews durante o primeiro périplo europeu do estadista angolano parece estar a surtir efeitos

POR: André Mussamo

Naquilo que pode ser considerado em linguagem diplomática como um convite explícito, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, através da sua conta de Twitter, “acenou” na mesma direcção do estadista angolano ao afirmar “é esplêndido que Angola se queira juntar à família da Commonwealth. Saudamos o empenho do Presidente Lourenço em fazer reformas, no combate à corrupção e na melhoria dos direitos humanos”. O chefe da diplomacia do Reino de Sua Majestade Isabel II endereçou a João Lourenço aquilo que pode ser entendido como um convite ao afirmar no final do seu twitter “esperamos dar-lhe as boas vindas brevemente no Reino Unido”. Durante a sua digressão europeia, a primeira na condição de Chefe de Estado angolano, João Lourenço explicou as razões por detrás da manifesta intenção de aderir à francofonia afirmando que, dada a posição geo-estratégia do país que apesar de falante de Língua portuguesa, mas encravado entre vizinhos que falam Inglês e Francês, não era de estranhar que queira aderir a estas comunidades.

“A exemplo do que se passa com Moçambique, que está ali encravado entre países anglófonos e acabou por aderir à Commonwealth, também Angola está cercada, não por países lusófonos, mas por países francófonos e anglófonos. Portanto, não se admirem que estejamos a concorrer agora para aderir à francofonia e que daqui a uns dias estejamos também a solicitar adesão à Commonwealth”, respondeu o estadista angolano quando interrogado pelo jornalista do porquê do desejo de aderir à francofonia. Moçambique, de expressão portuguesa, e o Rwanda, antiga colónia belga, são para já os dois únicos dos 53 países membros da Commonwealth que não foram antigas colónias do Reino Unido.

A publicação de Boris Johnson logo repercutiu-se na imprensa internacional. A própria Euronews escreve no seu sítio na Internet que “muitos observadores vêem nesta decisão de Luanda uma forma de diversificar as parcerias estratégicas internacionais, sobretudo após o esfriar nas relações com Portugal, na sequência do escândalo judicial que envolveu o ex-vice-presidente, Manuel Vicente”. Na rede social mais difundida no país, o facebook, muitos internautas também comentaram a publicação de Boris Johnson. Para uns, a multiplicação de parcerias estratégicas é um bom caminho para o país que procura libertar-se do sufoco resultante da grave crise económica que deixou Angola na agonia, enquanto para outros, a multiplicidade pode representar “desperdício de esforço”, levando com que o país não assuma uma posição forte em bloco algum.

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