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Director do Américo Boavida reconhece que hospital precisa de restauração

Por força da demanda, o Hospital Américo Boavida carece de reabilitação urgente. A falta de verbas tem condicionado a renovação deste hospitalar que, segundo o director, tem acima de 700 pacientes internados e que em média atende 400 por dia

POR: Stela Cambamba

As necessidades do hospital Américo Boavida vão desde a falta de medicamentos, recursos humanos, equipamentos diversos, porém o facto que mais sobressalta a direcção é a sua estrutura física visivelmente desgastada. Os quartos de banho, a área de enfermarias, os tectos, entre outro compartimentos, clamam por uma reabilitação global e urgente. O director geral do Hospital Américo Boavida, Agostinho José Matamba, descreveu o cenário como delicado. Ontem, durante a visita dos deputados da 6ª Comissão da Assembleia Nacional, o director afirmou que necessitam de uma restauração, considerando que a última intervenção de que a infraestrutura beneficiou foi há cinco anos atrás. Segundo responsável, a infraestrutura física é complexa, “muitas vezes para reabilitar um WC do 4º andar, por exemplo, temos de começar a partir a parede do 6º andar e para tal deve-se mexer também em duas ou três enfermarias, local onde ficam os doentes internados, o que vai obrigar a evacuá-los.

Onde vamos colocá-los?” interroga Agostinho Matamba Neste sentido tem reabilitado um ou outro local, que não fere muito a estrutura física do hospital, senão a mesma corre o risco de desabar. Desde Novembro de 2017 que o Hospital Américo Boavida não recebe verbas monetárias da parte do Estado. O centro cirúrgico possui 10 salas de bloco operatório, contudo somente duas funcionam, o bloco operatório novo, recentemente equipado, dispõe apenas de três salas para um total de sete especialidades cirúrgicas. Segundo Agostinho Matamba, em condições normais, a unidade teria 10 ou 12 salas em funcionamento, com uma média de seis doentes a serem operados em cada sala. Ou seja, teria cerca de 50 doentes a serem operados em 24 horas, tendo em conta que tem quadros humanos capazes para executar tal serviço.

Ressaltou que muitos profissionais, para além de serem médicos, também são docentes na Universidade de Medicina, pelo que se pode considerar que a instituição é um hospital universitário, pois tem recebido médicos internos a nível nacional. “Temos profissionais capazes e participam no ensino da medicina em Angola”, reforçou. Outra preocupação apresentada aos deputados refere-se à perda dos enfermeiros de cabeceira, uma vez que todos, hoje, querem ser licenciados e muitos quando atingem este grau já não se preocupam em prestar a assistência devida aos pacientes. Há necessidade de motivar os enfermeiros, para que retomem as práticas e condutas inerentes à actividade de enfermagem. O Hospital Américo Boavida possui 800 camas e cerca de 1276 trabalhadores. Sem precisar números, Agostinho Matamba declarou que carecem de mais técnicos auxiliares de enfermagem, maqueiros, pessoal de apoio administrativo, médicos e enfermeiros.

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