Palavra adequada

Talvez tivesse passado despercebido a algumas pessoas um dos pronunciamentos mais importantes do Presidente João Lourenço em Bruxelas, que foi quando utilizou a expressão “incipiente” para se referir ao empresariado angolano.

POR: José Kaliengue

Não creio que o tivesse feito de forma pejorativa, antes pelo contrário, todo o seu discurso económico visa apoiar a acção empresarial como motor da economia. Cá para mim, esta expressão é mais do que adequada. Temos muito poucos empresários que mereçam o nome. Temos pessoas com muito dinheiro, vindo sobretudo de contratos com o Estado e muitas vezes sem a realização da contrapartida. Este o maior desafio de João Lourenço. Se quer mesmo colocar a economia nas mãos da iniciativa privada, então tem duas opções: deixar que investidores estrangeiros ocupem parte substancial do tecido empresarial e “inventar” novos empresários angolanos. Não estes cujas obras param porque os técnicos lusos vão passar o Natal em Portugal, como tem acontecido na Huíla. Nos países onde houve crise, boa parte dos empresários acabou por prosperar, quem ficou em dificuldades foram os Estados. Aqui, entre nós, as primeiras vítimas foram as empresas privadas, o que diz bem da gestão e da qualidade do nosso empresariado… bem, pessoas que registaram empresas e vivem a sugar o Estado. Há muito para mudar em Angola.