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Ausência de morte condiciona promoção de enfermeiros

A promoção é um dos principais pontos constantes no caderno reivindicativo dos enfermeiros que está a ser discutido há seis anos. A reunião com o Governo Provincial de Luanda não produziu nenhum efeito e os profissionais podem paralisar os trabalhos na Terça-feira

POR: Milton Manaça

O Secretário-geral do SINTENFL, Afonso Kileba, disse ontem a OPAÍS que a entidade empregadora está a depender da morte de enfermeiros no activo para promoção de outros quadros do sector na província. A promoção de quadros é uma das exigências do caderno reivindicativo que está a ser discutido desde 2012 e, segundo Afonso Kileba, fez parte das preocupações que dominaram a reunião de Quinta-feira com o Governo Provincial de Luanda, que esteve representado pelo vice-governador para a área Económica e Produtiva, Júlio Bessa, e a directora do gabinete local de Saúde, Rosa Bessa.

Face às exigências dos sindicalistas sobre a necessidade de promoção dos trabalhadores, por tempo de serviço, “a entidade empregadora está a nos responder que tem que morrer alguém, só assim é que pode haver promoções. Ou seja, à medida que vão morrendo, vão promovendo”, frisou. “Isso quer dizer que eu tenho que rezar para um dos meus colegas morrer para ser promovido”, desabafou. Afonso Kileba disse que esta posição da entidade empregadora foi um dos factores que desestabilizou o encontro com o Governo Provincial, tendo criado tumultos e provocado o abandono da sala por parte de muitos enfermeiros. No entanto, o sindicalista considerou como “um teste à paciência dos enfermeiros”, realçando que os profissionais poderão enveredar por outros rumos, caso as coisas continuem nesta senda.

Greve pode acontecer na Terça

No comunicado final conjunto assinado por Rosa Bessa e Afonso Kileba, a que OPAÍS teve acesso, agendou-se a realização de uma reunião para Segunda-feira, 11, de modo a se prestarem esclarecimentos sobre os pontos constantes da Declaração de Greve. O sindicalista do SINTENFL disse que os seus filiados estarão no encontro apenas para ouvir as explicações do Governo de Luanda. Entretanto, advertiu que auguram a satisfação das reivindicações que foram apresentadas há seis anos. De contrário, afirmou, o único recurso será a paralisação dos trabalhos a partir de Terça-feira, 12. “Não temos qualquer documento que contrarie a posição da greve, apenas devemos fazer a convocação de uma assembleia de trabalhadores”, referiu.

Os 4 principais pontos do caderno reivindicativo 

 1. Pagamento de retroactivos referentes à carreira de enfermagem 2. Promoção dos profissionais de enfermagem com mais de cinco anos de serviço 3. Realização de concurso público interno que completaram o nível de formação na área 4. Reformulação da carreira de enfermagem.

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