frio força “decência” na indumentária de mulheres em Benguela

Agasalhar-se convenientemente para se proteger do frio e evitar determinadas doenças, próprias da época de Cacimbo, passou a ser quase que obrigatório entre os habitantes das terras de Ombaka

Texto de: Constantino Eduardo em Benguela

Os benguelenses ouvidos ontem, pela nossa reportagem, consideram que o frio está a educar algumas mulheres a se apresentarem de maneira decente, pelo que alertam para a necessidade de os pais agasalharem melhor as crianças, antes de saírem de casa, por constituírem a franja mais sensível.

Os entrevistados foram unânimes em classificar o tempo de Cacimbo como melhor do que o chuvoso, no que se refere à forma como as jovens e senhoras se apresentam em espaços públicos, sobretudo, sem as mini saias e blusas de alças.

Os rapazes, alguns, também deixam de exibir o tórax. Todavia, referem que, por ser um período sensível, torna-se imperioso acautelar determinadas situações de indumentária para, em certa medida, evitar-se doenças do foro respiratório.

“As crianças são as mais sensíveis”, considera Afonso Tchalimba Gomes, para quem urge a necessidade de se ter maior cuidado nesse tempo, em função das consequências que daí advêm, caracterizadas pela contracção de doenças respiratórias (gripes, bronquites, entre outras).

“Os pais deverão evitar que as crianças brinquem com água ou passem muito tempo na água. Em termos gerais, o tempo de frio pode provocar doenças não só às crianças, mas também aos adultos”, frisou.

Para Rufino Vissetaca, o tempo de frio é, tendencialmente, causador de muitas doenças e compromete a rotina do dia-a-dia porque as pessoas acabam por acordar tarde. “Acabamos por acordar tarde por haver mais frio e a cama tornar-se mais aconchegante.

O que acaba por prolongar o nosso sono. Esta é a consequência do frio”. Rufino Vissetaca assevera, contudo, que no tempo de frio não há liberdade de vestir o que nos apetece, alegando que as mulheres acabam por vestir-se de forma mais decente.

“A indecência era mais vista por parte das mulheres. Agora estão acobertadas porque não querem ficar doentes. Por mim, do ponto de vista meteorológico, devíamos permanecer sempre no frio”, opinou. Por sua vez, Samuel Quijingo, locutor ao serviço da Rádio Mais Benguela, salientou que o frio está a condicionar a sua hora normal de se levantar (às 6/7horas).

Porém, garante o citadino, não se deixa levar e, imbuído na sua responsabilidade de pai, ajuda a esposa a preparar as crianças para irem à escola. “Está a dificultar-me em algumas manobras, principalmente quando se trata de acordar cedo para o trabalho. Como sempre, procuro acordar mais cedo para dar tempo de ajudar a esposa”, declarou.

O radialista afirma que, por agasalharem devidamente as crianças, nenhuma delas está a correr o risco de contrair algumas das patologias acima mencionadas. Mas os cuidados no seio da sua família vão muito além da vestimenta. Neste período do ano, Samuel Quijingo evita consumir bebidas geladas, principalmente para preservar a sua voz.