Trump despede-se da cúpula do g7 em tom mais conciliador

Donald trump deixou, neste Sábado, a cúpula do g7 a tentar tranquilizar os seus aliados e destacando, em particular, as discussões “extremamente produtivas” sobre o comércio, um dos pontos mais conflitantes

Antes de deixar a localidade de La Malbaie (Quebec, Canadá) para voar para Singapura, onde na Terça-feira, dia 12, vai-se reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, o presidente dos Estados Unidos dedicou-se a acalmar os seus seis parceiros e reduzir as tensões criadas sobretudo pela sua política proteccionista.

“Tivemos discussões extremamente produtivas sobre a necessidade de um comércio justo”, disse ele, que convidou os outros membros do grupo a pensar na possibilidade de criar uma zona de livre comércio entre os sete. Os Estados Unidos, no entanto, acabam de impôr novas tarifas de importação sobre o aço e o alumínio, muito criticadas pelos outros membros do G7. “Eliminar tarifas alfandegárias, eliminar barreiras não-tarifárias, suprimir subsídios”, foi a proposta que Trump lançou durante a sua conferência de imprensa final.

“Eu não sei se vai funcionar, mas propus”, disse ele. Sobre o Irão, outro assunto divergente após a saída de Washington do acordo internacional sobre o programa nuclear da República Islâmica, o republicano declarou que “as nações do G7 estão empenhadas em conter as ambições nucleares” de Teerão.

Ainda resta saber se esse gesto conciliatório da parte de um presidente que dedicou apenas 24 horas aos seus aliados (Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Japão) resultará numa declaração comum.

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que haviam acordado uma declaração conjunta sobre o comércio, mas assinalou que esse texto “não resolve tudo”. “Essa foi uma etapa importante, mas foi apenas uma etapa e não resolve tudo, por isso planeamos continuar o nosso trabalho nos próximos meses”, afirmou.

A chanceler alemã, Angela Merkel, havia afirmado anteriormente que haverá um texto comum que contará com a excepção americana sobre os temas ambientais e climáticos, num formato de “6+1”. “Parto do princípio de que teremos um texto comum sobre o comércio”, disse a dirigente alemã, admitindo a existência de “concepções diferentes com os Estados Unidos”. Tanto Macron quanto Merkel assinalaram que “os seis” manifestarão o seu compromisso de reciclar todos os seus dejectos plásticos antes de 2030 como forma de combater a poluição dos oceanos.

‘Reincorporar a rússia’

O presidente americano também voltou a lançar a ideia de retornar ao formato do G8, com a reincorporação da Rússia, excluída em 2014 após a anexação da Crimeia. “Seria algo positivo”, disse o magnata de 71 anos. Mas os europeus já rejeitaram a ideia, e a própria Rússia recusou o convite.

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, afirmou que Moscovo “nunca pediu para voltar” ao G8 e acredita que o G20, um fórum que se estende aos países emergentes, é “o formato mais promissor”.

Num futuro imediato, a Rússia está mais preocupada em se aproximar da China e do Irão. Os chefes de Estado desses três países estão reunidos para a cúpula anual da Organização de Cooperação de Shangai (OCS) na grande cidade costeira de Qingdao. Seja qual for o resultado do G7, a cúpula voltou a ressaltar a clara vontade de Donald Trump de ditar a sua agenda.

O presidente dos Estados Unidos, com a cabeça na reunião com Kim Jong-un, chegou 45 minutos atrasado neste Sábado para um café da manhã dedicado à igualdade entre os sexos e simplesmente não compareceu a uma sessão sobre as mudanças climáticas.

Na Sexta-feira, o presidente americano já havia sido o último a chegar ao hotel La Malbaie, com vista para o majestoso rio SaintLaurent.

Trump nunca escondeu que dava mais importância à sua reunião de Terça-feira com Kim do que a esta reunião familiar entre antigos aliados. “É uma ocasião única”, disse ele neste Sábado, referindo-se ao encontro com o líder norte-coreano.