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Cimeira do ano começa amanhã

Equipas dos Estados Unidos e da Coreia do Norte concluem esta manhã em Singapura, sede da cimeira entre os líderes dos dois países, os procedimentos protocolares para realização da mesma

POR: Michael Brown em Nova Iorque

Continuam em discussão questões aparentemente comezinhas mas que, tratando-se de duas personalidades com egos muito grandes, a sua resolução antecipada é mais premente do que noutros casos. Qual dos dois será o primeiro a entrar na sala onde a cimeira terá lugar? Quem entrar primeiro poderá parecer anfitrião. Se for o caso como, reagirá o outro? O mais provável é que entrem em simultâneo, ficando por resolver apenas a questão da acomodação de ambas as delegações na mesma. Despachos enviados de Singapura sugerem que, se por um lado, o número de acompanhantes será igual para ambos, é quase certo que não deverão ser mais do que cinco.

Nada disso será tão difícil como a discussão da questão que os levou a acordarem a realização de uma cimeira, ou seja o fim dos ensaios nucleares por parte da Coreia do Norte, desnuclearizarização da península coreana, o levantamento das sanções internacionais impostas à Pyongyang. Recentemente a Coreia do Norte introduziu um novo elemento, isto é, a retirada das tropas americanas da Coreia do Sul. No encontro que Donald Trump teve com Chung Eui-Yong, chefe da agência norte-coreana de segurança nacional e enviado especial de Kim Jong -Un para esta cimeira, discutiu-se a oportunidade da cimeira, mas não os detalhes.

O mesmo aconteceu nas audiências que o Presidente da Coreia do Norte concedeu a Mike Pompeo, secretário de Estado norteamericano. Donald Trump aceitou reunir-se com Kim Jong-Un, a 8 de Março, depois de a Coreia do Norte ter concordado em suspender a realização de ensaios nucleares. Após este acordo a realização da cimeira esteve ameaçada duas vezes. Numa ocasião, Pyongyang deu-a como cancelada após John Bolton, conselheiro do Presidente dos Estados Unidos para a Segurança Nacional, ter dito que Washington procurava uma solução idêntica à da Líbia. Pyongyang entendeu a mensagem como exigência ao desarmamento unilateral e viu nisso um fim igual ao que Kaddafi teve. Depois disso, foi a vez Donald Trump cancelar a realização da cimeira. Em causa estava o silêncio de Pyongyang perante os esforços americanos para de discutir sobre alguns detalhes.

Numa ocasião a Coreia do Norte não compareceu ao encontro que deveria ter tido lugar em Singapura. Da mesma forma como ultrapassaram a crise provocada pelos repetidos ensaios nucleares de Pyongyang e a troca de insultos entre só seus líderes, também ultrapassaram estes embróglios. A cimeira terá de começar a meio da manhã , horário de Singapura, princípio do dia em Luanda. Kim Jong-Un foi o primeiro a chegar à cidade Estado. Embora de Pyongyang tivessem partido quase em simultâneo dois aviões estatais locais, um dos quais levava os veículos blindados do líder norte-coreano, este viajou no Boeing 747 habitualmente usado pelo Presidente da China. O recurso a este avião poderá criar ou alimentar as suspeitas norte-americanas de que Kim Jong-Un vem sendo “trabalhado” por Beijing, sugestão já uma vez feita pelo Presidente dos Estados Unidos. Este viajou no Air Force One, avião oficial do Presidente dos Estados Unidos. A cimeira não deverá durar mais do que um dia. Para Donald Trump, trata-se de uma oportunidade única de Kim Jong-Un fazer uma coisa que vai transformar a vida do seu povo.

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