Editorial: Desconfiança

A forma como os partidos políticos estão a discutir o processo de implementação das autarquias em Angola pode a aumentar a distância dos cidadão comum da política. O risco é grande. Porque depois passaremos a uma fase de pessoalização e não se discutirá o essencial, que é o pacote chamado interesse do munícipe. Em algumas circunscrições os cidadãos poderão ver-se confrontados com candidatos em que não confiam e também perante uma coisa, ou situação que ultrapassa o seu cândido entendimento. O Brasil é só o exemplo mais recente sobre uma realidade em que o povo não confia nos políticos. Razão para isso: em tempo demasiado os políticos olharam para o seu umbigo e criaram códigos de conduta e de linguagem que os afastaram do país real, os sentimentos e anseios das pessoas comuns.