ONG´s defendem intensificação da saúde comunitária para redução de grandes endemias

Devido ao défice na assistência e cuidados médicos a nível das comunidades, a Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA (ANASO) alerta que o número de infecções ligadas ao VI H, malária e tuberculose tem vindo a aumentar no país

POR: Domingos Bento

As organizações não-governamentais que trabalham na área de assistência médica defendem a implementação e o reforço do atendimento clínico a nível das comunidades, de formas a travar as grandes endemias como a tuberculose, a malária e o VIH/SIDA. De acordo com António Coelho, secretário da Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA (ANASO), nos últimos anos, estas três doenças têm vindo a aumentar de forma preocupante, com o registo de novas infecções. Essa situação, conforme explicou, deve-se à débil assistência médica a nível das comunidades; à péssima qualidade dos serviços de Saúde; o difícil acesso aos cuidados primários de saúde; à rotura de fármacos e à venda ilegal de medicamentos.

No entanto, com o actual contexto de crise que o país vive, o que está a tornar difícil o trabalho para a melhoria da qualidade de vida dos angolanos, António Coelho afirma que a situação poderá agravar-se ainda mais, caso não haja, da parte das autoridades sanitárias, um reforço da melhoria de assistência a nível local que possa atender à problemática dos cuidados de saúde. Para o responsável, é preciso que haja uma reformulação das políticas públicas de assistência sanitária, que deve ser mais virada para a comunidade, de forma a evitar o agravamento da condição daqueles que vivem longe dos grandes centros urbanos. No seu entender, caso haja uma assistência clínica de qualidade a nível dos bairros, dos distritos e das comunas, os grandes hospitais centrais terão a sua assistência melhorada e isso torna a rede sanitária mais fluída onde todos saem a ganhar com equidade e equilíbrio. “Precisamos reforçar os postos e os centros de Saúde para melhor combater as grandes endemias.

É na comunidade que tudo começa. Portanto, se houver um bloqueio das grandes doenças a nível da comunidade, vamos conseguir travar o surgimento de novas infecções. Infelizmente ainda se regista uma centralização nos grandes centros hospitalares, o que dificulta o controlo e o combate das enfermidades”, frisou. Debater com todos o Sistema de Saúde Todavia, de forma a contribuir com ideias e sugestões relativas aos cuidados primários de saúde a nível local, António Coelho fez saber que a sua organização, em parceria com outras organizações da sociedade civil, realiza, a partir de amanhã, o Workshop Nacional sobre o Reforço do Sistema de Saúde Comunitário.

Durante dois dias, especialistas apresentarão sugestões e ideias de forma a constituir uma oportunidade para promover o diálogo comunitário e o intercâmbio entre os diferentes actores sociais, de todo o país, na busca de caminhos para o reforço do sistema de Saúde comunitário. A decorrer sob o lema “Saúde Centrada no Indivíduo e na Comunidade”, o evento propõe focalizar o debate sobre um maior apoio ao trabalho com as pessoas e as famílias, garantindo a equidade e a solidariedade em saúde, dentro do princípio de que servir a comunidade é participar no bem-estar da população. Os participantes irão igualmente reflectir sobre como envolver cada vez mais as Organizações da Sociedade Civil no processo de Saúde comunitária no país, olhando para o financiamento comunitário, para o seguro comunitário de Saúde e outras ferramentas que possam ajudar o país a ter uma saúde para todos com base num processo inclusivo e participativo.