PRS considera “manobra de diversão” consulta pública sobre autarquias

O secretário provincial do Partido de Renovação Social (PRS) no Huambo voltou a acusar o partido dos camaradas, o MPLA, de uma pretensa imposição à sociedade do seu entendimento relativamente ao gradualismo.

POR: Norberto Sateco

António Solia, em exclusivo a OPAIS, no quadro da primeira reunião provincial dos renovadores sociais sobre as eleições autárquicas, disse olhar para a consulta pública com bastante preocupação, naquilo que chamou de “camuflagem e mentira” engendrada pelo partido no poder. Aquele político sublinhou que a liberdade do povo é um elemento fundamental em democracia, devendo fazer jus ao que a Constituição da República estabelece.

“Estas consultas públicas são apenas uma simulação do MPLA, para depois dizer que foi o povo quem decidiu. Eles já têm as coisas todas montadas”, disse o político, tendo reforçado a sua tese pelo facto de “os municípios apontados para a primeira fase serem todos as suas maiores praças políticas”. “O MPLA nunca aceitou que houvesse eleições. São sempre estas simulações que não ajudam ninguém”, argumentou. António Solia defendeu, ainda na senda das autarquias, uma maior sensibilização do cidadão para a importância deste processo de voto, com vista ao alcance de um desenvolvimento sustentável e melhoria das políticas públicas.

Criticou também a proposta inicial do Governo sobre as eleições autárquicas, segundo a qual não haverá financiamento nem direito de antena nos órgãos de comunicação social públicos consagrados aos concorrentes nas eleições autárquicas de 2020. Entretanto, no quadro das consultas públicas sobre as autarquias, esta semana, uma organização não-governamental, o Observatório Político e Social de Angola (OPSA) chamava a atenção para a necessidade de se adoptar um modelo mais inclusivo para que o cidadão passe a sua ideia, sem interferência do poder político.