loader

Torre de Babel gráfica

Depois do anúncio do encerramento da Escola Americana de Luanda pelo Ministério da Educação, um sinal de que afinal se pode pôr alguma ordem no sistema que está infestado pela candonga, é hora de se pedir um pouco mais.

POR: José Kaliengue

O Estado, porque esta não é tarefa apenas do Ministério da Educação nesta fase, tem de se definir, como se diz na rua. Tem de assumir o que pretende, de facto, com o ensino e com a principal ferramenta nesta tarefa, que é a língua. É que estamos muito mal na forma como usamos a língua portuguesa. Nota-se nos documentos oficiais, no que se ouve dizer nas dezenas de canais de rádio que temos pelo país e também no que lemos nos jornais. Temos de assumir que a baixa cultura geral da nossa população não permite sequer detectar os erros com que somos brindados todos os dias, na maior parte das vezes as pessoas nem sabem o que dizem, há palavras proferidas apenas porque julgadas bonitas, ou para impressionar. No entanto, se foram fechadas as livrarias na proporção em que nasceram igrejas de português abrasileirado quase analfabeto, há uma oura área em que se tem de actuar com urgência: a da imprensa. A balbúrdia é imensa, além do brasileirismo falado, há uma desorientação enorme em termos de grafia. Os jornais publicam textos ora escritos segundo as regras de sempre (as nossas), ora seguindo as regras de um acordo ortográfico que não assumimos. Estamos a construir uma torre de Babel. E já se sabe no que irá dar.

Últimas Notícias