FNLA, um partido dois congressos no mesmo mês

Foi ontem anunciada a realização de dois congressos pela Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). Por um lado, o II Congresso Extraordinário a ser realizado de 25 a 28 de Junho próximo, no Huambo, e outro, pelo grupo dos 50%+23 membros do Comité Central, em Luanda, para de 19 a 21 deste mês

Texto de: Iracelma Kaliengue e Maria Custódia

O secretário nacional para a mobilização e formação e porta-voz da FNLA, Jerónimo Makana, anunciou ontem, em conferência de imprensa, em Luanda, que o congresso do partido tem como objectivo retificar e analisar os seus estatutos, bem como apresentar as estratégias para as eleições autárquicas marcadas para o ano de 2020.

Jerónimo Makana reconheceu na sua intervenção que “os estatutos do partido têm sido a principal razão dos conflitos internos entre os membros da FNLA, tendo adiantado que o congresso ora agendado não servirá para eleição de novos membros para a direcção do partido” “Não se trata de um congresso electivo, mas sim um fórum que vai analisar e reflectir sobre vários assuntos relacionados ao próprio partido. Sabe-se que o partido durante os últimos tempos está a sofrer um grande declínio.

Observamos isso nas eleições passadas, onde obtivemos resultados que nos garantiram apenas um deputado à Assembleia Nacional”, frisou. Segundo o porta-voz, concluiuse ser necessário efectuar-se certas reformas no partido, tanto ao nível estrutural, como funcional. Questionado sobre a unidade no partido, Jerónimo Makana disse que a FNLA não tem alas. “O que está a haver é uma má interpretação da funcionalidade e das suas estruturas”.

TC “chumbou” providência cautelar de Lucas Ngonda Numa outra conferência de imprensa, o coordenador adjunto da comissão organizadora do Congresso Extraordinário Inclusivo da FNLA, Laís Eduardo, disse que o Tribunal Constitucional (TC) chumbou a providência cautelar de Lucas Ngonda contra a realização do Congresso Extraordinário Inclusivo liderado por 50%+23 membros do comité central da FNLA, a ser realizado de 19 a 21 de Junho em curso.

Lais Eduardo assegurou que, de acordo com os estatutos do partido, 50%+23 membros do comité central da FNLA podem convocar a realização de um congresso caso a situação assim o exija. Acrescentou ainda que pela con-vocação do Congresso Extraordinário Inclusivo, o presidente do partido, Lucas Ngonda, intentou uma acção de providência cautelar junto do TC contra Ndonda Nzinga e o amplo movimento para a unidade e resgate da FNLA, a qual foi chumbada pelo referido órgão de soberania de Angola.

O responsável referiu que o congresso está a ser financiado pelos militantes do partido e será realizado de 19 a 21 do mês em curso pelas no Cine São João, em Luanda, sob o lema “Angola salve a FNLA, um dos seus patrimónios históricos e uma dívida moral”. Este congresso tem como objectivo levar o partido a reunificar-se.

Disse que as causas da crise no seio do partido são excessivamente conhecidas e se resumem à violação em bloco dos princípios normativos da FNLA, por parte do presidente do partido, a crescente corrupção galopante, gestão danosa, tráfico de influências, privação das liberdades individuais e colectivas, bem como a inibição das vozes discordantes.

Acusou ainda Lucas Ngonda de violar a Constituição da República de Angola e a Lei dos Partidos Políticos, de incompetência crónica, vício de forma, desvio, abuso e usurpação do poder. “Todos esses males constituem os pilares do poder partidário do presidente Lucas Benghy Ngonda”, frisou.