Carta do leitor: O “kuduro” político…

Directores do O PAÍS, espero que estejam bem hoje, quando falta pouco para o começo do Mundial de futebol na rússia, um país com muita história. Sem quaisquer rodeios, escrevo a partir Cuando Cubango, porquanto uma questão pública prende-me a atenção.

POR: Ambuíla Nankova
menongue

As autarquias, de que tanto se fala, já foram transformadas em música, desta vez em kuduro, uma marca e um estilo que também nos representam lá fora. É que há vários coros a cantar a mesma música em termos políticos, mas, presumo que os objectivos serão parciais. Digo isto porque aquando da discussão e da aprovação da Constituição vários modelos vieram à baila. Mas, o famoso artigo 159 da Lei Constitucional passada, sobre os limites materiais, foi tão atropelado que hoje passou à história. É verdade que o modelo aceite pelo partido da situação passou e hoje tem-se um sistema de Governo diferente. Como angolano, o mesmo não me convence, mas devo submeter- me à Constituição de 2010. O mesmo, acredito, que vai acontecer com o “artista” do famoso princípio do gradualismo. As forças políticas não chegam a qualquer consenso e isto só vai prejudicar a maioria e favorecer, como sempre, o grupinho. Peço ao legislador para ter mais piedade dos destinatários das leis, os cidadãos, porque elas devem resistir ao tempo. Não entendo coisa alguma sobre a redução teleológica, mas é um aspecto importante indispensável quando se discutem leis na Assembleia Nacional. A era da arrogância política, no meu ponto de vista, já acabou, aliás o Executivo tem um novo titular com alguns ministros antigos. Por isso, quem está em maioria deve ter a responsabilidade de pensar no futuro, e penso que a questão do gradualismo nas autarquias deve ser uma matéria de consenso. Não façamos das leis premissas para uns e “doenças” para os outros, porque o futuro é imprevisível. Por uma Angola melhor, mais cidadania…