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Governo abre inquérito sobre morte por alegada falta de oxigénio no hospital de Benguela

A direcção do hospital reconhece que se registou uma ruptura no estoque de oxigénio na data dos factos, devido a serviços de manutenção, mas alega que a morte da pequena ocorreu muito antes. Neste dia, tinham sido acauteladas 90 botijas de oxigénio

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

O gabinete provincial de Saúde de Benguela criou uma comissão de inquérito para apurar as causas da morte de uma menina, de 4 anos, ocorrida Domingo, 10, no Hospital Geral local, alegadamente por falta de oxigénio. O titular do referido gabinete lamenta a forma como o assunto está a ser tratado pela imprensa. A direcção do hospital, por seu turno, já descartou que a menina tenha morrido por falta de oxigénio, como alguns órgão de comunicação social noticiaram. Segundo Aldemito Cussivila, porta-voz do hospital, insuficiência respiratória grave terá sido a causa morte. Pelo que, no seu ponto de vista, o senhor que prestou declarações à imprensa, que diz ser pai da menina, mentiu à sociedade por ser apenas um paciente que tinha também um ente-querido internado na mesma sala em que a menina perdeu a vida. De acordo com a testemunha que denunciou o caso à imprensa, quando o quadro da criança se agravou, os parentes se teriam dirigido a uma das enfermeiras em serviço, na esperança de que ela fosse assistida de imediato.

Esta, por sua vez, teria respondido que a criança estaria a necessitar de oxigénio e que o hospital, naquele preciso momento, não dispunha do produto. “Fui ter com a direcção, era Domingo, e encontrei as portas fechadas. Eu alertei aos membros do corpo clínico da na sala onde estou internado, na 45, daqui a nada pode falecer uma menina. Foi quando o moço sai atrás do jovem, de um Land Cruiser que estava a ir à busca do oxigénio”, contou o cidadão Alberto Vasco. De regresso à sala onde se encontrava a menina, segundo conta a aleganda testemunha, recebeu a informação de que a pequena já estava a ser assistida por médicos. Entretanto, para o seu espanto, cinco minutos depois tomou conhecimento de que não havia resistido e morreu. “10 minutos depois, vem o senhor, que aparenta(va) ser o supervisor, com uma garrafa de oxigénio.

A criança esteve fora do oxigénio às 14h e tal e o oxigénio apareceu às 15h e tal”, lamenta o cidadão, que diz estar a sofrer ameaças. Aldemito Cussivila, o portavoz do hospital Geral de Benguela (HGB), assevera que a criança deu entrada com um quadro de tuberculose “miliar sem parenquema pulmonar”, insuficiência respiratória grave e que se manteve com ciclos respiratórios acima dos 75 por minuto. “Ela viveu, em algum tempo que esteve internada, sob efeito de oxigénio-terapia”, disse. “Razão pela qual”, defende que “não corresponde à verdade a informação divulgada por alguns órgãos de comunicação social, segundo a qual, a menina morreu por falta de oxigénio”. Pois, justifica, “uma unidade da dimensão do HGB com os serviços bastante sensíveis, como o da UTI e enfermarias (esta funciona 24 horas, sob efeito de oxigénio) não tem problema desta natureza”.

Para sustentar esta tese, citou que não tem cabimento tal acusação, uma vez que assistem permanentemente pacientes que têm que estar ventilados com oxigénio. “Os serviços dos blocos operatórios funcionam com oxigenação. Os doentes com os famosos tromboses e AVC também, em muitos casos, são assistidos com oxigénio”, frisou. Acrescentou de seguida que “daí que não se justifique a acusação de que por falta de oxigénio uma criança, com enfermidade respiratória, tenha falecido. Teríamos tido no hospital mortes massivas”. Não obstante a isso, reconhece ter havido uma ruptura antecipada, devido a serviços de manutenção, mas tinham sido acauteladas 90 botijas de oxigénio. Disse que a criança morreu muito antes de se ter registado a ruptura. Na esperança de obter mais informações sobre o caso, OPAÍS envidou esforços para contactar a família, mas sem sucesso.

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