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INS fornece apenas 60 das 250 unidades de sangue por dia

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Dador de Sangue. Em 2017 Angola registou 151 mil e 429 doadores, dos quais 83% foram familiares, sendo que apenas 11 mil e 280 foram voluntários, perfazendo 17% do total

POR: Stela Cambamba

Das 250 unidades de sangue que o Instituto Nacional de Sangue (INS) precisa diariamente para atender os hospitais pediátrico David Bernardino, Américo Boavida e o Instituto de Oncologia, tem em média 60, na sua maioria doados por familiares de doentes, revelou ontem, em Luanda, Deodete Machado. A directora-geral do INS explicou que uma unidade serve apenas para atender quatro doentes. A nível nacional, as crianças são as que mais necessitam de sangue, tendo em conta que são elas que maioritariamente padecem de malária e anemia, devido à má-nutrição.

De seguida, segundo as estatísticas do INS, estão as mulheres gravidas, em consequência das hemorragias que ocorrer antes ou durante o parto. “Hoje, de uma forma geral, o avanço da medicina está directamente ligado ao sangue, quase todo o trabalho que se faz a nível da medicina está ligado ao sangue. Os cuidados primários de saúde estão ligados ao sangue, daí que é importante que se garanta sangue as unidades”, frisou Deodete Machado. Apesar de não terem doadores regulares, a directora afirmou que têm feito algumas campanhas de sensibilização, sobretudo, com os doadores familiares, de modo a torná-los voluntários, considerado que têm experiência da necessidade de se ter o sangue em stock.

Por outro lado, Deodete Machado apelou às pessoas que optam por vender sangue para que se abstenham de tais práticas, por se tratar de um crime punível nos termos da lei. “Quem compra está a comprar doença. Devemos dar em troca de nada. É preciso termos consciência de que ao fazermos uma doação, estamos a salvar vidas, pelo que devemos optar pela doação voluntaria”, sublinhou. De Janeiro a Maio de 2018 o INS registou, na capital do país, nove mil e 588 inscrições e realizou seis mil 222 colheitas de sangue. Esta quantidade, considerada de exígua, resulta das dificuldades que os técnicos desta instituição enfrentam nas campanhas de sensibilização de potenciais dadores sobre a importância deste gesto.

“Se tivéssemos pelo menos 1% da população a doar estaríamos em condições de manter o stock. Mas, infelizmente, não temos o suficiente para aguentar quatro dias. Não consigo ter um stock a longo prazo, por isso gerimos todos os dias a reserva” lamentou, Deodete Machado. No INS, a equipa de OPAÍS encontrou Siona Casimiro Tavares, 37 anos, um doador voluntário desde 1995. Ele se deslocara ao Instituto para atender a um apelo que ouviu numa rádio, segundo o qual o jovem Dorivaldo Major precisava de sangue do seu grupo sanguíneo (A+).

Imogestin doa sangue

Mesmo sem conhecê-lo, contactou os seus familiares e decidiu ajudar a salvar mais uma vida. Ele juntouse aos trabalhadores da imobiliária Imogestin, que, por ocasião das festividades do seu 20º aniversário, realizaram ontem uma campanha de doação de sangue. “Sensibilizados com os apelos das autoridades de saúde, face à escassez de sangue no país, os trabalhadores da Imogestin, com o apoio da Administração da empresa, realizam anualmente uma campanha de doação de sangue”, lê-se num comunicado enviado à nossa redacção. A Organização Mundial da Saúde recomenda que as doações sejam 100% voluntarias, porque é nelas que se encontra menor existência de doenças

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