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Cidadãos queixam-se de burla pelo projecto Jardins do Éden

Passados nove anos, mesmo depois de terem pago as residências, cujos preços variam entre os 200 e os 500 mil dólares, muitos não receberam as habitações. O endereço físico da empresa até ao momento é desconhecido e os contactos telefónicos não funcionam

POR: Domingos Bento

Um grupo de cidadãos está a acusar a empresa de desenvolvimento e gestão imobiliária Jardins do Éden de os ter burlado em avultadas somas financeiras, cedidas para o pagamento de residências. O caso, segundo os queixosos, já se arrasta desde 2009. Neste ano, muitos cidadãos pagaram avultadas somas financeiras que variavam entre os 200 e os 500 mil dólares para realizarem o sonho da casa própria. Mas, passados nove anos, os cidadãos dizem que não receberam as respectivas residências, nem conseguiram reaver o seu dinheiro, apesar de todas as diligências feitas neste sentido. A situação torna-se mais caótica porque, segundos os lesados, ao longo desses anos a empresa Jardins do Éden tem vindo a mudar de escritórios permanentemente, o que vem impossibilitando o contacto entre a entidade acusada e o grupo de queixosos.

Tal como explicaram, o ultimo contacto que mantiveram com a imobiliária foi em 2016. Na altura, a imobiliária tinha os seus escritórios num dos condomínios da própria. Mas, passados nove anos, os cidadãos dizem que não receberam as respectivas residências, nem conseguiram reaver o seu dinheiro, apesar de todas as diligências feitas neste sentido. A situação torna-se mais caótica porque, segundos os lesados, ao longo desses anos a empresa Jardins do Éden tem vindo a mudar de escritórios permanentemente, o que vem impossibilitando o contacto entre a entidade acusada e o grupo de queixosos. Tal como explicaram, o ultimo contacto que mantiveram com a imobiliária foi em 2016. Na altura, a imobiliária tinha os seus escritórios num dos condomínios da zona de Talatona.

Depois daquele período a firma trocou de endereço e, até ao momento, segue desaparecida. João Coelho, funcionário público, recorrendo a empréstimos bancários, disse que pagou, em 2009, 176mil dólares para uma residência do tipo T-4 cujo valor total estava orçado em 389 mil e 289 dólares norte-americanos. No entanto, passado mais de um ano, o mesmo alegou não ter recebido a tão almejada residência, nem sequer lhe teriam sido comunicados os motivos reais que impossibilitaram a entrega da casa. De acordo com João Coelho, na altura da celebração do contrato, a empresa lhe havia ainda mostrado um lote que supostamente seria o espaço onde devia ser construída a sua residência. Mas, tempos depois verificou-se que o mesmo lote estava passado em nome de uma outra pessoa. Em 2012, depois de tanto tempo à espera, João Coelho decidiu accionar os órgãos de justiça, recorrendo ao Tribunal Provincial de Luanda, solicitando assim a devolução dos valores por parte da empresa Jardins do Éden, na pessoa do seu representante e sócio-gerente José Ferreira Ramos. Passados todos esses anos, o lesado afirmou que não consegue reaver os seus valores porque os responsáveis da imobiliária andam foragidos.

Mesmo sem casa, o banco faz descontos

Segundo ainda João Coelho, a situação está mais difícil porque, apesar de não ter recebido a casa, ao longo dos nove anos tem vindo a sofrer descontos no banco que mensalmente corta do seu salário 300 mil kwanzas. Para o funcionário publico, esta situação tem vindo a causar-lhe transtornos enormes. “Hoje não temos casa e sou obrigado ainda a pagar o banco. Queremos que as autoridades olhem e dêem para o devido tratamento desse caso. É uma questão de justiça. É um grupo de mais de cem pessoas que está nessa situação e não podemos acabar assim. Se temos um Estado, então pedimos que nos ajude a resolver esta injustiça”, desabafou.

Péssimas condições de habitabilidade

Já Mateus Neto, funcionário público, chegou a receber a sua residência, igualmente da empresa de desenvolvimento e gestão imobiliária Jardins do Éden. Mas o que o inquieta é o estado das habitações. Segundo disse, estas encontram-se em péssimas condições de habitabilidade. Tal como explicou, muitas das condições que constavam no contrato, aquando da sua celebração, não estão a ser cumpridas, o que tem vindo a criar uma frustração generalizada. “Pagamos tanto dinheiro para viver em péssimas condições. Os responsáveis pelo projecto que deviam estar aqui para responder às nossas preocupações, infelizmente andam foragidos. Não sabemos nada do seu paradeiro”. Já Gracinda Umba frisou que as valas de drenagem não conseguem escoar as águas das chuvas e residuais porque foram mal projectadas.

Também as torneiras das residências não jorram o precioso líquido desde que foram construídas. Gracinda denunciou ainda que as zonas do projecto que eram destinadas para jardins e espaços de lazer hoje estão a ser açambarcadas por grupos de pessoas que dizem ter pago a empresa promotora daquele projecto habitacional localizado no distrito urbano de Camama, município de Talatona. “O nosso projecto habitacional é, de facto, um mar de problemas. Sentimo-nos burlados. Pedimos, por isso, a intervenção das autoridades. Queremos que haja uma solução. Rogamos a quem de direito que nos ajude a encontrar os responsáveis por esta situação toda”. O OPAÍS tentou, junto dos endereços telefónicos disponíveis da empresa, contactar os seus responsáveis, mas não teve sucesso.

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