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Embaixador fala de investimento estrangeiro na Itália

O embaixador de Angola na Itália, Florêncio de Almeida, disse ontem, em Roma, que o Executivo angolano está a criar condições propícias para a diversificação da economia, a fim de atrair investimento estrangeiro e criar empregos, principalmente para jovens.

Ao discursar numa conferência sob o tema “Africa-Europe Relationships: A Multi- Stakeholder Perspective”, que decorreu de 14 a 15 de Junho, promovido pela Universidade italiana LUISS, apelou, nesse sentido, à participação engajada do empresariado italiano, cujo “potencial é amplamente reconhecido e apreciado no meu país, o que lhe garante um lugar privilegiado, no quadro da relação estratégica que pretendemos cultivar”.

O diplomata angolano reconheceu, entretanto, que a crise económica e financeira que afecta Angola e a Itália tem criado obstáculos ao investimento italiano em Angola, obrigando algumas empresas italianas a reduzirem a sua actividade, acrescentando estarem em curso acções para se inverter este quadro. Florêncio de Almeida referiu ainda ser necessário ajudar estas empresas e melhorar o ambiente de negócios entre os dois países, privilegiando os sectores da agroindústria, turismo, pescas, energia, construção, recursos minerais, transportes e bens de consumo, áreas em que a Itália atinge níveis de excelência.

Sublinhou que nos tempos que correm, importa preservar as sinergias criadas nos anos anteriores, consubstanciadas numa efectiva melhoria dos incentivos financeiros e administrativos, tanto italianos como angolanos. Lembrando que Angola é o terceiro parceiro económico da Itália na África subsaariana, depois da África do Sul e da Nigéria, o embaixador angolano disse que a cooperação comercial entre os dois países possui maior expressão no sector dos petróleos, com destaque para a companhia petrolífera ENI.

“Aliás, as exportações angolanas para a Itália são dominadas pelos hidrocarbonetos e recursos para a indústria metalúrgica”, referiu. Notou ainda que a nova Lei do Investimento Privado, aprovada há dias, elimina os obstáculos verificados no passado, como, por exemplo, o repatriamento de lucros e dividendos e incentivos fiscais para as empresas de capital estrangeiro. Na perspectiva da melhoria do ambiente de negócios, o diplomata explicou que foi igualmente aprovada a nova Lei da Concorrência, que visa eliminar os monopólios e dar maior transparência, assim como a desburocratização do regime de concessão de vistos, para facilitar o dinamismo das relações empresariais e do desenvolvimento do turismo no país.

Na frente diplomática, referiu que o novo Presidente de Angola, João Lourenço, tem reiterado a necessidade de se desenvolver uma diplomacia económica pro-activa com os principais actores europeus e não só, como foi demonstrado recentemente com o seu primeiro périplo à Europa Ocidental, com visitas à França e à Bélgica. Relativamente ao movimento migratório, assumido pelas nações Europeias como ilegal, o diplomata disse que “lamentavelmente, devemos reconhecer que a situação de instabilidade que muitos países africanos conhecem se deveu a influências e motivações políticas, na sua grande maioria, de decisões extra continente Africano”. Neste fórum discursaram também o director-geral para a Mundialização e as Questões Globais do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália, Massimo Gaiani, o vice-presidente executivo para as Relações Internacionais da ENI, Lapo Pistelli, o presidente da Municipalidade de Kawempe Kawempe, em Kampala, capital do Uganda, Emmanuel Surunjoji, e o responsável das Relações Internacionais na Comunidade de Sant’Egidio, Mauro Garofalo.

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