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Os gatos e a cidade

Então está explicado. Estava eu a pensar nas nossas cidades, na forma desumanizada em que se apresentam, sem espaços verdes, sem espaços agradáveis, sem explanadas para um café, um sumo de laranja e uma conversa agradável, sem montras decentes. Temos cidades com pouco de cidade, se pensarmos no que deve ser uma cidade moderna.

POR: José Kaliengue

Os gestores das nossas cidades também não têm sensibilidade para tanto. Falta alguma coisa, ou da educação, ou de ética, ou de bom gosto. Pensava eu na forma como as nossas cidades odeiam as pessoas, quando, de repetente a TPA 2 começa a passar um programa que eu nunca tinha antes visto: Mitos Urbanos. Um programa cru, que mostrou bem o que somos e o muito que temos de mudar também para aprendermos a ter cidades verdadeiras. No S. Paulo, em Luanda, os passeios tomados por vendedores que os ocupam com os seus produtos estendidos no chão, incluindo os alimentares. Mas isto é imagem “normal” da nossa anormalidade. E veio a conversa sobre animais, a forma alegre, despreocupada e quase “inocente” com que graúdos e crianças falavam de matar gatos. Nada mais normal neste mundo. E o apresentador a insistir na pergunta sobre se morriam de uma vez ou se tinham mesmo sete vidas, os gatos. Fica difícil saber o quê entre duas coisas,se não temos cidade para as pessoas, ou se não temos pessoas para as cidades. Se calhar as duas coisas.

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