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Ausência de enfermeiros inquieta moradores do Kididi

A abstenção dos técnicos de Saúde ocorre com maior frequência no final de semana e aos Domingos, de acordo com os habitantes dessa área

Texto de: Alberto Bambi

Os moradores do bairro Kididi, comuna da Barra do Cuanza, município de Belas em Luanda, manifestaram o seu descontentamento por causa das ausências dos técnicos de saúde destacados na referida localidade.

“Ultimamente, tornou-se muito difícil os enfermeiros fazerem quatro dias de trabalho. Normalmente, ficam aqui de Segunda à Quarta-feira, mas de Quinta a Domingo só encontras alguém se tiveres muita sorte”, contaram alguns residentes, que pediram o anonimato.

Eles acrescentaram que devido aos trabalhos do campo, a maior parte das famílias do Kididi recorre mais ao centro médico aos finsde-semana, sendo, em contrapartida, nestas ocasiões que os socorristas mais abandonam o posto de trabalho.Pelo facto de a reportagem de OPAÍS ter ocorrido aí, no último Sábado, entre as 11 e 12 horas, a equipa deste jornal dirigiuse à referida unidade hospitalar, onde não se encontrava absolutamente ninguém.

Victorina, a única moradora que não receou dar a cara, informou que os trabalhadores do único centro médico da zona reclamam constantemente sobre os gastos de transporte, já que, para chegarem ao bairro Kididi, têm de desembolsar entre 700 e 800 Kwanzas por cada viagem.

A entrevistada é de opinião de que a instituição deve ter pelo menos um carro de apoio aos funcionários, a fim de se evitarem situações do género. “Isso já aconteceu com a escola no tempo em que a maioria dos professores vinha de longe”, comparou, deixando patente que a melhor solução passaria por apostar na “prata da casa” ou disponibilizar condições de acomodamento, no bairro, para os queixosos. Segundo ela, a outra preocupação que merece atenção imediata tem a ver com as coberturas nocturnas por parte desses especialistas

. “Não estou a dizer que não há dias em que nos socorrem de noite, mas quero dizer que nós não nos sentimos só mal quando os enfermeiros estão presentes”, ironizou Victorina, realçando a necessidade de os visados marcarem presença a tempo inteiro.

A moradora acredita que isso é possível, dado o regime de turnos que, normalmente, reina no sistema de funcionalidade dos hospitais e pelo facto de serem mais de quatro funcionários. Ela receia, igualmente, que os técnicos locais venham a perder a confiança dos habitantes, uma vez que, de algum tempo a esta parte, os seus vizinhos já preferem recorrer aos centros médicos do Quenguela ou Benfica, em detrimento dos da localidade.

Qualidade da água exige prontidão
As características da água que é consumida nessas paragens exige a presença frequente dos técnicos de saúde, pois, segundo os habitantes, a qualquer momento crianças ou adultos podem sentir-se mal.

“Com a água turva que bebemos e que usamos para cozinhar estamos sujeitos a adoecer de hora em hora”, avaliou um cidadão que se revelou conhecedor de matéria de saúde. De acordo com o mesmo, alguns indivíduos da região tentaram investir no negócio de farmácias para facilitar a aquisição de medicamentos, que, até então, era feita no Benfica e outras paragens de Luanda, mas não foram bem-sucedidos.

“Quase tudo do bairro contribuiu para a desistência paulatina desses empreendedores. É que os pacientes ingeriam comprimidos com água turva e alguns contraíam outras doenças.

O calor também não permitia a conservação ideal dos fármacos”, lamentou. As doenças de que os populares dessa região mais se queixam são diarreia, infecção urinária e paludismo, além de, nos últimos dias, haver indicativos de problemas visuais.

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