Época de frio exige cuidados redobrados

A estação Seca em Angola, vulgarmente conhecida como Cacimbo, decorre de 15 Maio a 15 de Agosto, é uma época bastante fria, com variações de temperaturas sazonais de região para região

Texto de: Miguel José em Malanje

Segundo dados do Departamento de Meteorologia, a temperatura média anual de Malanje situa-se entre 22 e 24 graus, com uma amplitude térmica de 1.0 a 3.0. A variação das temperaturas sazonais na época quente, nesta região, vai entre 29 e 31 graus de máxima e dos 15 aos 17 graus de mínima.

Já no Cacimbo as temperaturas máximas vão entre 27 e 28 graus, ao passo que as mínimas rondam entre 14 e 10, ou pouco abaixo. Próprio do micro-clima, local, nesta época do ano é frequente haver nevoeiro e a ocorrência de ventos com predominância do quadrante Este-Sudeste, com velocidades de 10 a 17 quilómetros por hora.

Por ser uma estação sem chuva, em função do aumento da força do vento, faz com que haja bastante poeira. Daí que o responsável do Departamento de Meteorologia de Malanje, João Marcolino, recomenda muita cautela, sobretudo, aos automobilistas, já que o corredor que vai de Malanje a Cacuso e vice-versa, devido ao nevoeiro e neblinas matinais, constitui enorme perigo. “Épreciso que os condutores tenham muito cuidado neste troço”, alerta.

 

Consequências do frio

Nesta parcela do território, em que o termómetro varia entre os 10 e 14 graus, o frio, sobretudo, de manhã e à noite, com correntes de ventos e muita poeira à mistura, requer das pessoas bastante cuidado, devido às frequentes doenças do sistema respiratório, sobretudo as de infecções virais, entre elas a gripe, assim como a tosse, o aumento de secreções nasais, alergias conjuntivais.

Das doenças sazonais mais frequentes nesta época de frio, o médico Cláudio Sebastião apontou a bronquite, a asma, as gripes, o resfriado, a pneumonia, a rinite, a sinusite, a amigdalite e a faringite. Por isso, aconselha que nesta altura do ano as pessoas usem roupas adequadas para o frio, de modo a evitar tais doenças.

Como exemplo, explicou que os sintomas da pneumonia, uma das que mais se destacam, podem surgir de forma repentina ou gradual, aparecendo quando o sistema imunitário está enfraquecido, como acontece após uma gripe ou resfriado não curado ou prolongado. Ainda assim, durante as manhãs e, também, após o pôr-dosol, vê-se muitas pessoas expostas ao frio.

Os munícipes interpelados pelo OPAÍS, embora com opiniões divergentes, de um modo geral dizem que o frio tem algumas vantagens, porque exige das pessoas rigor no modo de vestir, é mais aconchegante e dá um certo conforto, desde que se esteja bem agasalhado; como é o caso do André Kizua, que diz gostar do frio e sentir-se bastante confortável durante o seu curto período de permanência.

“Eu gosto deste clima, porque me sinto bastante confortável e é pena que só acontece durante três meses ao ano”, salienta. Por razões diferentes, o frio pode ser bom para uns e para outros nem por isso.

Quem assim o diz é a senhorita Daniela Vindula, que quando chega esta época do frio, em virtude da sua condição de asmática, padece de crises que a deixam debilitada. “Padeço de asma e por isso, o frio para mim é um pesadelo. Obrigame a seguir “religiosamente’um estilo de vida regrada, para evitar constrangimentos na minha saúde ”, lamenta.

Prevenir o frio

As enfermidades causadas pelo frio, por possuírem sintomas muito parecidos, podem ser facilmente confundidas. Crianças e idosos são os mais afectados, mas com alguns cuidados é possível minimizar os efeitos que essas doenças geram na saúde e no bem-estar.

Para tal, o médico Cláudio Sebastião indica a utilização de agasalhos, máscaras faciais e óculos de sol, aliados à ingestão de líquidos como água, sumos, chás e outros, como medidas que podem contribuir para a prevenção de doenças do fórum respiratório: a pneumonia, a asma, a gripe e a bronquite, que afectam maioritariamente crianças e idosos em época seca. Porém, recomenda às mães que providenciem agasalhos e a não deixarem que os filhos estejam em frequente contacto com a água.

Cuidar da pele

A pele sendo a principal linha de defesa do corpo, que reveste e assegura grande parte das relações entre o ambiente corporal interno e o externo, que “revela as sensações térmicas, carece de muitos cuidados para mantê-la saudável.

De acordo com a técnica de Saúde Henda Janeth, em época de Cacimbo os cuidados com a pele devem ser redobrados, já que o frio provoca vasoconstrição nos capilares, que se contraem e diminuem a irrigação. Ou seja, não levam oxigénio e nutrientes suficientes às células da epiderme, também, atrasa o ciclo da renovação celular e acumulam-se as células mortas, causando uma sensação de aperto e desconforto.

Por isso, como medida preventiva, Henda Janeth aconselha, antes de tudo, cuidados com a higiene pessoal, o uso de cremes hidratantes, de preferência oleosos, o consumo abundante de líquidos, sobretudo água, para humidificar ou hidratar a pele, assim como o uso de roupas compridas para melhor se protegerem das afectações cutâneas.

“Nesta época do ano não há mãos a medir para cuidarmos da pele, se quisermos manter a beleza em forma”, aprecia. E, para manter a pele bonita e bem cuidada no Cacimbo, é muito importante que as farmácias tenham capacidade de responder à procura por cremes e óleos.

Assim, numa breve ronda feita por farmácias da urbe malanjina, os farmacêuticos conferem que nesta época a frequência da procura de produtos hidratantes para a pele é maior.

Afirmam que com a mudança de clima, independentemente, dos preços, o fluxo de clientes que, diariamente, acorre às farmácias para comprarem os produtos dérmicos de que necessitam os obriga a não deixar as suas prateleiras vazias, para satisfazerem o público consumidor. Porém, dentre os produtos mais procurados, de um modo geral, mencionam a betametazona, a triplexil, a vaselina, o quadriderme.

Vestuário para o frio Em consequência das baixas temperaturas por terras da Palanca Negra Gigante, a procura de roupa para frio nas lojas de vestuário e nos mercados sofre um aumento substantivo.

Segundo os vendedores, os munícipes buscam a melhor roupa possível, desde casacos, meias, luvas, pijamas, tocas, botas, cobertores e colchas, na perspectiva de contrapor ao frio, buscando conforto e evitar as doenças próprias deste período do ano.

OPAÍS visitou algumas casas comerciais de referência local (lojas, boutiques) e mercados informais, constatou que em todas existe um público, considerável, que nesta altura do ano procura roupas com a mesma característica, independente da qualidade, mas com a mesma finalidade de se resguardar do frio.

Contudo, de acordo com os comerciantes, cada cliente à medida das suas possibilidades, procura comprar aquilo de que mais gosta ou que vá de encontro ao seu bolso.