governo da Nicarágua aceita observadores de direitos humanos

Sede do partido governista FSLN foi ocupada e saqueada por manifestantes em Diriamba, a 40 km de Manágua

O Governo da Nicarágua aceitou nesta Sexta-feira a presença de observadores internacionais dos direitos humanos para investigar as violentas mortes ocorridas durante os protestos contra o Presidente Daniel Ortega, com base no diálogo com a aliança opositora, informou o cardeal Leopoldo Brenes.

Ficou acertado “urgir a presença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para apoiar a investigação de todas as mortes e actos de violência” ocorridos nos últimos dois meses de protestos, disse o cardeal Brenes, presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN).

O Governo de Daniel Ortega também se comprometeu a convidar de imediato o Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos e especialistas da União Europeia (UE) para que ajudem na solução da crise, revelou o cardeal.

As partes destacaram “a importância da presença imediata da Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) neste esforço. Governo e Oposição acertaram ainda a criação de uma Comissão de Verificação e Segurança, que será mediada pela Igreja e terá o acompanhamento de CIDH, ONU e UE.

Esta Comissão terá a função de trabalhar no desenvolvimento de “um ambiente de paz” e em um “plano para a remoção dos bloqueios” que os manifestantes opositores mantêm nas estradas. “A mesa de diálogo faz um apelo ao fim de todo tipo de violência e ameaça, não importa de onde venha”, destaca o comunicado.

O acordo foi obtido após várias horas de negociações nesta Sextafeira, com a retomada do diálogo entre o Governo e a aliança opositora em meio a forte repressão de protestos contra Ortega. Ao menos 170 pessoas morreram desde o início dos protestos, a 18 de Abril, segundo o Centro Nicaraguense dos Direitos Humanos (Cenidh).

Na sua visita à Nicarágua no final de Maio, a CIDH encontrou “um padrão de violência e repressão” envolvendo os protestos e verificou um “ambiente de intimidação e ameaças”, segundo o seu secretário-executivo, Paulo Abrão.