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Mal nutrição mata mais de 200 crianças em Benguela

A província de Benguela apresenta um grave índice de malnutrição, tendo piorado consideravelmente este ano, uma vez que, até final de Maio, o departamento de Saúde Pública registou a morte de 216 crianças nesta condição

Texto de: Zuleide de Carvalho, em Benguela

O registo de crianças malnutridas em Benguela tem vindo a aumentar a uma velocidade gritante. Só para se ter uma ideia, no primeiro trimestre de 2017 foram diagnosticadas 4911 crianças; em 2018, no mesmo período, o número duplicou para 9654. Assim, na província, apenas no primeiro trimestre de 2017 e 2018, respectivamente, morreram 58 e 50 crianças com menos de um ano, devido ao estado avançado de malnutrição que enfrentavam.

Segundo o departamento provincial de Saúde Pública, no intervalo de Janeiro a Maio do ano passado faleceram 142 crianças por malnutrição e, este ano, na altura equivalente, o número de óbitos elevou-se para 216.

Américo Máquina, responsável da área de Saúde Pública, admitiu que, “a situação de Benguela é grave, porque em todos os municípios da província são detectados casos de malnutrição, estando a liderar o ranking o município da Catumbela.

Os motivos indicados pelo dirigente, que estarão na base da multiplicação dessa deficiência nutricional acentuada, afectando maioritariamente bebés com idade inferior a um ano de vida, são “o desmame precoce e baixo poder de compra”.

Também verificados que, todavia com menos frequência, bebés há que ficam desnutridos devido às infecções que adquirem, derivadas de tuberculose ou HIV/SIDA.

Hospital Geral com 60 crianças subnutridas internadas

Sendo uma anomalia recorrente, a maior unidade sanitária provincial tem uma área específica para internamento, tratamento e recuperação de crianças malnutridas, com capacidade para 35 camas. Porém, até no dia 13 tinha internadas cerca de 60 crianças.

A responsável pelo sector, enfermeira Alice José, declarou que no mês de Maio houve carência dos meios necessários para a recuperação dessas crianças, tendo falecido 25, das 453 atendidas e tratadas. Por agora, o departamento de Saúde Pública diz haver mantimentos.

“Temos um stock favorável de leite, para ajudar essas crianças, casos que já estão notificados, e todos os municípios estão a ser abastecidos”, garantiu a responsável.

Para evitar repetição da elevada taxa de mortalidade assinalada no último mês, a enfermeira apela aos pais a recorrerem aos serviços hospitalares mais cedo, porque, muitas vezes as crianças “chegam ao Centro quando o quadro já está crítico”.

Ponderando sobre este ano, Maio foi o mês mais negro que o Centro Nutricional Terapêutico do hospital enfrentou, tendo em conta a gravidade das crianças subnutridas dos 0 aos 5 anos, que internaram.

Deste modo, comparativamente aos últimos três anos, a enfermeira Alice avançou que, em termos de quadro clínico e índice de mal nutrição dos pacientes que tratam, “2018 é o pior” ano, por registar uma tendência crescente.

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