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A luta pela integração social

António Teixeira conta que, por três vezes, viu ser recusada a matrícula do seu filho numa escola do ensino especial, alegadamente por não estarem preparados para receber estudantes com autismo. “Disseram- me que não estavam preparados para receber a criança. Foi como se tivessem enfiado uma faca no meu peito”, recorda.

Impulsionado pela experiência que teve para se diagnosticar a doença no seu filho, a atenção especial a que as pessoas nessas condições carecem, bem como de inserção dos mesmos no sistema de ensino, o nosso interlocutor apostou, em parceria outros pais de autistas, na criação de uma associação que congrega e ajuda os pais e encarregados de educação de crianças e adolescentes que nasceram com distúrbio neurológico.

Como presidente da Associação Angolana de Apoio às Pessoas Autistas e Portadoras de Transtornos Globais de Desenvolvimento (APEGADA), António Teixeira já ouviu relatos de pais cujos educandos foram “escorraçados” de colégios, por requererem atenção especial de professores e alunos. “Muitos encarregados fizeram um abaixo- assinado para que a criança autista fosse retirada do colégio”, disse. Pelo que, a inclusão dos pequenos no ensino normal tem sido um dos grandes desafios desta Associação fundada em 2013.

Discriminação

“Já entrámos em restaurantes e disseram-nos que tínhamos de retirar o nosso filho porque podia partir alguma coisa. No supermercado, no táxi ou noutros locais, olham para o nosso filho de maneira esquisita. É uma dor sem explicação”, desabafou o presidente da APEGADA. Quem também viveu tais momentos, considerados de inesquecíveis e bastante dolorosos, é a senhora Regina Madalena, mãe de uma menina autista. “As pessoas olham de uma forma que até chega a assustar”, declarou cidadã, filiada na APEGADA. Por conta das dificuldades para cuidar de Neuma Nayara que dependia totalmente de si (não se sentava, não falava e usava fraldas), Regina acabou por contrair problemas na coluna, por ter de levá-la sempre às costas. Viu-se ainda, por outro lado, a adiar o sonho da casa própria ao ter de vender o terreno onde pretendia erguê-la para “comprar um carro e minimizar a humilhação de ser marginalizada no táxi”.

A Nayara, além de autista tem outros transtornos globais de desenvolvimento que começaram aos dois meses de vida, com uma gripe e dificuldades respiratórias. Os médicos, na altura, não conseguiram identificar o problema da menina, que não chorava nem comia. Depois de muito frequentarem os hospitais angolanos, Regina Madalena conseguiu uma junta médica para a África do Sul, onde ela foi diagnosticada com malformação congénita no cérebro e, posteriormente, o autismo. Este último acabou por deixar a família em estado de choque. Hoje, com 10 anos, Nayara esta inserida no sistema de ensino, após ter sido submetida a uma avaliação que concluiu que podia estar numa escola normal.

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