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Angola fala pela tela da Zimbo

Apesar de ter estar apenas a caminho da terceira semana desde a sua estreia, o programa “FALA Angola” já conta com uma audiência considerável. Os integrantes da sua equipa, sob a apresentação do radialista e apresentador Salú Gonçalves, almejam fazer diferente e alcançar a excelência

POR: Stela Cambamba

O sofrimento de uma mãe, ao contar a forma como o seu primogénito foi assassinado e, com ele, o fim de muitos sonhos e esperança de um futuro melhor, numa das matérias publicadas na edição de Segunda- feira, dia 11, do programa Fala Angola, da TV Zimbo (emissora do Grupo Média Nova), chocou a sociedade. O apresentador Salomão Bernardo Gonçalves, “Salú Gonçalves”, 52 anos, e alguns dos membros da sua vasta equipa, que se encontravam nos bastidores, não conseguiram conter as emoções e lacrimejaram.

A equipa de reportagem do jornal OPAÍS deslocou-se à TV Zimbo com a finalidade de saber dos desafios do programa e do novo apresentador da estação televisiva. Salú Gonçalves, de forma descontraída, disse que esta é a sua terceira experiência em televisão, depois da Televisão Pública de Angola (TPA), nos anos 1980, e na Palanca TV, em 2016. Esclareceu que este programa informativo pretende alertar as entidades de direito sobre os problemas por que as pessoas passam. Salú Gonçalves garantiu que as pessoas devem esperar do programa “FALA Angola” uma cobrança que começa no cidadão e termina nos dirigentes, em quem, por sinal ,a população depositou o seu voto. Porém, as pessoas também devem assumir que erram e estarem dispostas a corrigir e melhorar. “Grande parte dos cidadãos portam- se mal.

Partem garrafas em plena rua e atiram latas no chão quando estão andar de carro, porque o Governo habituou-se a limpar”, declarou. Quanto à meta almejada, explicou que, apesar de ter passado apenas duas semanas desde que passou a “invadir” a residência dos telespectadores da TV Zimbo, das 18 às 19horas, já alcançou um dos objectivos traçados: a audiência aumentou consideravelmente. Disse que pretendem ainda chamar a atenção da sociedade através dos problemas que vivem, da forma como lidam com as situações e como reclamam. “Precisamos de mostrar às pessoas como devem fazer e por que devem fazer”, frisou Salú Gonçalves.

“O ideal é adaptar-se à realidade de cada sociedade”.

Indagado sobre a semelhança que existe entre o FALA Angola e outros programas emitidos por televisões estrangeiras, respondeu que “tudo ou quase tudo já foi criado. O ideal é adaptar-se à realidade de cada sociedade”. “Quando digo fala comigo, porque comigo é ou não é. É no sentido de chamar a atenção das entidades. Neste sentido, penso que as autarquias devem acontecer com maior brevidade possível, porque precisamos de escolher quem nos guia”, frisou. Acrescentou de seguida: “saber se quem nos ouve atende aos os nossos problemas, vive as mesmas preocupações ou é apenas um administrador distrital ou comunal que todos os dias pega no seu carro e vai dormir noutra zona, sem saber o que a comunidade sofre durante a noite”, alertou, Salú Gonçalves.

Na data da reportagem, o programa ainda não dispunha de um número telefónico para interacção em directo com os telespectadores, mas, garantiu, dentro em breve terá e será anunciado. Os cidadãos poderão fazer denúncias e partilhar imagens via whatsapp. Por agora, as pessoas podem interagir com o programa através do faceboock da estação televisiva “Informação TV Zimbo”, onde muitos já falam sobre o programa e não só. Na primeira edição, a coordenação do programa registou mais de mil comentários em Angola e no estrangeiro, tendo-se destacado países como Suécia, Estados Unidos da América, entre outros, assim como do continente africano. Os internautas podem também acompanhar o FALA Angola em directo, na página “Informação TV Zimbo” no faceboock. Onde têm recebido feedback dos telespectadores, alguns deles agradecendo por verem as suas preocupações resolvidas depois da intervenção do programa.

Reportagem na calada da noite

Apontou os acessos ao interior de alguns bairros, na sua maioria são precários, como uma das principais dificuldades que os repórteres do programa enfrentam. Disse que há reportagens em que é necessário começar de madrugada, no sentido de constatar a realidade. “Um dos nossos repórteres teve de ir às 4 horas da manhã no bairro Huambo, no Rocha Pinto, para mostramos as senhoras que compram pão neste horário para revender e muitas delas são assaltadas”. As equipas de reportagem vão ao encontro do cidadão. Entre outras realidades que temos demonstrado, descobrimos um esgoto na província de Benguela que jorra água e criou uma lagoa onde há pessoas que utilizam o líquido inclusive para beber.

Das denúncias que recebem destacam os problemas sociais, como delinquências acompanhadas de morte, abusos sexuais e saúde devido à precariedade que há nos bairros, falta de limpeza que na sua maioria os moradores podem evitar, criando campanhas para melhorar o saneamento básico. Assim como algumas vezes os administradores devem visitar as ruas e aconselhar a população a encontrar juntos a solução para um determinado problema. O apresentador é de opinião que é necessário encontrar um formato para organizar a sociedade.

Acredita que as ferramentas podem ser encontradas na população, considerando que os mesmos têm respostas para os problemas que os afligem. Aconselha as entidades de direito ou o povo a voltarem às antigas Brigadas Populares de Vigilâncias (BPV). Sendo que as autoridades podem colocar câmaras de vigilância em determinados sítios que não permitam a sua destruição. As câmaras podem servir para a utilização de investigação criminal, os cidadãos podem ainda fazer denúncias anónimas mostrando quem são os marginais e onde estão. De acordo com Salú Gonçalves, apesar de o foco ter virado para o apresentador, o programa engloba várias equipas, desde as de limpeza, repórteres, técnicos de som e imagem, que, por agora estão a consolidar o seu método de trabalho com a finalidade de tornar o num programa de excelência.

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