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Brinquedo morte

Com a execução pública, por um agente do SIC, de um jovem que estava no chão, já baleado e aparentemente inofensivo, ocorrendo tal facto num momento de tensão social por causa do clima de insegurança instalado, de imediato começaram as discussões sobre a justeza da acção do homem da investigaçãoo criminal. Assumindo que o agente violara a lei, de imediato surgiram vozes a esgrimir atenuantes, desculpabilização, etc..

Texto de: José Kaliengue

O agente estava também ele sob tensão e o grupo de malfeitores de que fizera parte o jovem abatido havia trocado tiros com a Polícia. No geral, diga-se, a sociedade “compreendeu” a acção do agente, aliviada pela sensação de haver menos um bandido nas ruas.

Porém, a campanha de ilibação do homem do SIC fez-se acompanhar na Internet por imagens chocantes quer de vítimas da bandidagem, quer da vingança popular quando cidadãos comuns deitam as mãos sobre um meliante.

Estas imagens são desnecessárias, fazem apologia à violência gratuita e mostram que há mais bandidos do que o imaginado.

Quem mata pessoas queimando-as vivas em plena praça pública não deixa de ser igualmente um assassino.

A morte tornou-se, por estes dias, num brinquedo passado de mão em mão (de telefone em telefone). Quem partilha tais imagens não está a defender o agente do SIC, que terá advogados, está a semear novas mortes, está a criar novos assassinos. Poupemo-nos da barbárie.

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