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Kauyka comemora 19 anos com amigos na União dos Escritores Angolanos

A festa abrilhantada pelo Duo Canhoto, incluiu um desfile de trajes nacionais porporcionado pelos mais novos e culminou com a venda e assinatura da colecção “Kauyka”, de histórias infantis, pela escritora Ana Maria de Oliveira

Texto de: Augusto Nunes

O Jango da União dos Escritores Angolanos foi pequeno para o número de petizes, que Sábado acorreu o local para comemorar os 19 anos da Kauyka, em companhia dos pais, professores e encarregados de educação. O evento dividido em diferentes momentos, esteve inserido no mês da criança, em geral e da Criança Africana em particular.

Iniciou com uma saudação nas línguas maternas em que foram traduzidos os livros, pelo Doutor Jorge Kapitango, dando assim importância da aprendizagem em línguas nacionais.

A festa prosseguiu com a actuação do Duo Canhoto e reservou um momento para a autora da Kauyka, Ana Maria de Oliveira falar da sua obra, da sua infância e da sua experiência enquanto educadora social.

A actividade seguiu com o desfile de trajes nacionais proporcionado pelos mais pequenos ao som da “Filhas d´África”, das Gingas do Maculusso e terminou com a sessão de venda e assinatura da Colecção “Kauyka”, de histórias infantis, em línguas nacionais pela escritora Ana Maria de Oliveira.

Trata-se de um projecto que visa permitir o acesso das crianças a leituras complementares nas línguas nacionais, tendo em conta a sua inserção no sistema regular de ensino, e facilitar a sua utilização pelas diferentes franjas da sociedade ao nível nacional.

A escritora aconselhou os pais e os encarregados de educação a deixarem de ser preconceituosos no que diz respeitos às línguas nacionais e devem ensinar a falar e a escrever também em línguas maternas.

“Devemos ultrapassar todos os preconceitos e valorizar aquilo que é nosso”, disse a escritora. Já o anfitrião Carmo Neto, secretário- geral da União dos Escritores Angolanos, ao intervir no acto, referiu que a história da literatura infantil é tão antiga quanto a própria humanidade.

O escritor realçou que, para nós povos africanos, contar estórias de ninar, para adormecer as crianças, acalmá-las, instruílas, motivá-las etc, é natural, razão, pela qual, toda a mulher, toda mãe, é por natureza uma contadora de estória.

O escriba, admitiu que o mérito emerge quando essa mulher consegue transformar essa estória intimista, entre ela e o seu filho, netos ou sobrinhos, embora obra para o consumo do imensurável universo infantil. Carmo Neto salientou que em Angola, é recente a produção de livros dedicados às crianças.

”Digo recente se olharmos para a historiografia da literatura angolana impressa, que vem de alguns séculos”. De acordo com o escritor, os diferentes períodos, os insignes autores e as ricas temáticas têm vindo a ajudar a consolidar o segmento da literatura infantil, o que, no seu entender, o prestígio que ela hoje tem deve-se a isso e a esses pioneiros que deram corpo às aspirações do mercado editorial e de pequenos leitores nem sempre bem estimulados, mas incessantemente dispostos ao livro.

Carmo Neto admitiu que hoje, a escritora Ana Maria de Oliveira, convoca-nos, juntando num único momento a comemoração dos 19 anos de Kauyka e a homenagem às crianças africanas que sonham com um futuro melhor.

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