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Ministério do Ambiente carece de financiamento para combater a seca

Os projectos que reforçam a redução de situações vulneráveis da seca e a desertificação em Angola estão condicionados pela falta de verbas, afirmou o chefe do Departamento de Seca e Desertificação do Gabinete de Alterações Climáticas do Ministério do Ambiente, Luís Constantino.

Em declarações, ontem, Domingo, à Angop, pelo Dia Mundial da Seca e Desertificação, o responsável disse que têm o apoio assente no Fundo de Gestão do Ambiente (GEF), virado para a questão da degradação de terras, e que os efeitos da seca e desertificação ainda são visíveis no país. Referiu que a falta de financiamento tem estado a dificultar o planeiamento adequado e acelerado de mais projectos que podem reduzir os danos materiais e humanos resultantes de desastres naturais.

Acrescentou que o projecto de Reabilitação de Terras e Gestão das áreas de Pastagem nos sistemas de produção agro-pastoris dos pequenos produtores no Sudoeste de Angola (RETESA), que teve início em 2014 e teve a duração de quatro anos, abrangendo áreas do Namibe, Huíla e Benguela, terminou em Abril do corrente ano. Luiz Constantino destacou igualmente o projecto denominado Integração da Resiliência Climática nos Sistemas de Produção Agrícola e Pastoril, que decorre desde 2016, através da gestão de fertilidade de solos das áreas vulneráveis, usando a abordagem das escolas de campo (IRCEA).

Entretanto, realçou ser objectivo do projecto RETESA reforçar a capacidade do sector agro-pastoril dos pequenos produtores na mitigação do impacto dos processos de degradação do solo e a reabilitação das terras degradadas, através da integração de tecnologias de gestão e queimadas. “No processo de fertilização de solos estão a ser usadas sensibilizações nas escolas, como utilizar métodos de campo e ensino de boas práticas de agricultura, na água, com furos em que instalar moto-bombas, com técnicas bem resultantes”, aferiu. Esclareceu que têm estado a trabalhar de maneira transversal, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), na qualidade de agência implementadora do projecto, enquanto o Ministério da Agricultura e as províncias beneficiárias do projecto são parceiros de implementação. Para a província do Cunene, reiterou que, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), têm trabalhado no projecto “Promoção do Desenvolvimento Resiliente ao Clima e Reforço da Capacidade de Adaptação para Suportar Riscos de Desastres na Bacia Hidrográfica do rio Cuvelai”.

Apelou à população e a todos os sectores sobre a luta contra a desertificação e seca, um problema ambiental global com reflexos sociais impactáveis, com realce para a migração da população para os centros urbanos, gerando a pobreza, o desemprego e a violência. O 17 de Junho, Dia Mundial da Luta contra a Desertificação e a Seca, foi instituído em 1974, pelas Nações Unidas, na sua resolução nº 49/155, com o objectivo de sensibilizar a opinião pública sobre a necessidade da luta contra este problema ambiental. Segundo dados deste Ministério, a taxa de desflorestação tem flutuado desde 1990, com o aumento drástico desde 2000, sendo que Angola perdeu uma média de 124 mil 800 hectares de floresta anualmente e aumentou de 2,1 por cento entre os anos de 2000 a 2005, tendo o país perdido um milhão e 872 mil hectares de floresta, o que representou cerca de 3,1 por cento da superfície florestal do país.

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