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Análise Diária: As perspectivas económicas para a África subsahariana

O último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) referente às Perspectivas Económicas para a África Subsahariana demonstra que a região deverá manter a trajectória de crescimento ao longo dos próximos anos, passando de 2,8% em 2017 para 3,4% em 2018 e 3,7% no ano seguinte

POR: Atlantico

Segundo o mesmo documento, a recuperação do crescimento durante o período em análise será impulsionado, essencialmente, por um ambiente externo mais favorável, tal como, por um crescimento global mais forte, preços mais elevados das commodities e melhoria no acesso aos mercados. Relativamente às estimativas divulgadas no ano anterior, destaca-se a revisão em alta da projecção do crescimento para 2017 que se situava em 2,6%, e a revisão em baixa para 2018, que se fixava em 3,5%. Excluindo as duas maiores economias da região – Nigéria e África do Sul- projecta-se um crescimento da região de 4,6% em 2017 e 4,8% em 2018.

A Nigéria poderá registar um crescimento de 2,1% no ano corrente, que reflecte uma melhoria de 1,3 p.p. em relação ao ano anterior, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul deverá crescer 1,5%, no mesmo período, uma expansão de 0,2 p.p.. Ao longo do ano corrente, a instituição de Bretton Woods estima que países como o Sudão do Sul e o Chade apresentem as maiores variações no nível de crescimento, com o primeiro a reduzir a contracção de 11,1% para 3,8%, e o segundo a crescer 3,5% após contracção de 3,10% em 2017.

Entretanto, a maior taxa de crescimento será registada na Etiópia, com cerca de 8,5%, apesar de representar uma redução de 2,4 p.p. face ao ano anterior. Para os países exportadores de petróleo o crescimento económico poderá registar incremento de 0,5% em 2017, para 2% no ano corrente. Por outro lado, para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o FMI estima que o crescimento varie de 2,2%, para 2,6%, no período supracitado. Além das questões associadas ao crescimento económico da região, o documento divulgado faz referência a temas, como o investimento privado, ao sublinhar que o nível actual do investimento privado da África Subsahariana é baixo quando comparado com outros países que apresentam níveis semelhantes de desenvolvimento económico, tendo a região apresentado a menor relação entre investimento privado e o PIB entre as regiões em desenvolvimento. O relatório sustenta que os países da África Subsahariana que experimentaram aumentos no investimento privado beneficiaram de maior estabilidade macroeconómica, de instituições mais fortes, de descobertas de recursos naturais e da resolução de algumas tensões políticas e sociais.

Em geral, os dados sugerem que existe em África uma correlação negativa entre o investimento realizado e a taxa de pobreza. Destaca-se que alguns países da região se engajaram em grandes programas de investimento público para ultrapassar algumas lacunas de infra-estruturas com o intuito de catalisar o investimento privado. Destaca-se que nos países exportadores de petróleo a taxa de investimento privado atingiu cerca de 14% durante o período compreendido entre 2010 e 2016. Durante o período 2010-2014 a desaceleração do investimento privado foi mais moderada devido aos preços elevados das commodities e às perspectivas de crescimento sustentável de alguns países. Porém, desde 2015 que o investimento da região registou redução acentuada em relação às outras economias em desenvolvimento, tendo contraído 4% ao ano entre 2015-2016. O relatório estima que a percentagem do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) líquido sobre o PIB ao longo de 2018 poderá atingir 2,5%, o que corresponde a um incremento de 0,2 p.p. em comparação ao ano transacto.

O IDE constitui uma alavanca significativa para o aumento do investimento privado, tal como, para a transferência de conhecimento e tecnologia. Os fluxos de IDE sobre o PIB devem concentrar-se em alguns países, como o caso das Ilhas Maurícias, Serra Leoa, Moçambique, Seicheles, Gâmbia e Cabo Verde, que desde 2004 apresentam rácio superior à média da região, sendo que em 2018 poderá se fixar em 86,5%, 14,1%, 12,4%, 9,4%, 8,9% e 8,2%, respectivamente. Paralelamente, cerca de dois terços dos países da região apresentam índice abaixo da média regional. De realçar que factores como grandes mercados internos e recursos naturais, fornecimento de infra-estruturas, nível de educação da força de trabalho, abertura ao comércio, estabilidade macroeconómico e política, e qualidade das instituições são determinantes para a atracção do IDE.

Assim sendo, o FMI, alerta que os formuladores de política poderiam fomentar o fluxo de investimento por via da garantia da estabilidade macroeconómica e política, fornecimento de melhores serviços de infraestruturas, uma força de trabalho mais qualificada, sem esquecer entretanto, de promover a qualidade e eficiência do ambiente institucional da região. O Fundo Monetário Internacional alerta também, que para que se alcance o crescimento da região é necessária uma política fiscal prudente para conter a dívida pública, enquanto, a política monetária deverá voltar-se para o objectivo de assegurar baixos níveis de inflação. Os países também devem fortalecer a mobilização de receitas e continuar a promover reformas estruturais para redução das distorções do mercado, moldando um ambiente que fomente o investimento privado.

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