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Escritor defende introdução de livros de aprendizagem em línguas nacionais nas escolas

Um livro traduzido é um mecanismo de ensino, de aprendizagem, de aferição e de assumpção de outras línguas

POR: Augusto Nunes

O escritor Carmo Neto advogou a colocação no mercado de livros que tragam canais privilegiados de aprendizagem de várias línguas nacionais, assim como a língua oficial . arquivo Carmo Neto, que falava Sábado na cerimónia comemorativa do 16 de Junho, Dia da Criança Africana e do 19º aniversário do Projecto de literatura infantil Kauyka, incentivou os dirigentes das distintas escolas do país a tomarem de assalto o tão importante instrumento didáctico- cultural.

O também secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, realçou que, com o árduo processo de tradução em línguas nacionais, dessa menina Kauyka editada, em Kimbundu, umbundu, kikongo, cokwe, nhanguela e oshikwanyama, e que se espera para sair em kuvale, nyaneka e ibinda, a autora responde assim ao anseio das crianças do Soweto. O anfitrião referiu que é através do texto infantil que a criança leitora poderá aprender e apreender a norma culta e o ensino da variedade escrita da sua língua materna, levando o aluno ao conhecimento da língua como expressão do pensamento lógico, capaz de transmitir uma mensagem de um falante a um receptor.

Salientou que o país ganha o imortalizar de um dos seus melhores utensílios de comunicação cultural, a língua, já que, em seu entender, um livro traduzido é um mecanismo de ensino, aprendizagem, aferição e assumpção de uma outra língua. Para o responsável, escrever e ler em línguas nacionais justifica-se, uma vez que objectiva desenvolver a comunicação entre os seus usuários, empregando correctamente a língua em diversas situações de comunicação. ”Se costumamos dizer que é de pequeno que se torce o pepino, é importante que na formação do cidadão o gosto pela leitura na infância se faça com livros que despertem na criança a construção do mundo mágico, o senso crítico, além de auxiliar o aprendizado. Aqui não só entra a magia das estórias, mas o que é a cultura sedimentada, contextualiza na mente da criança”, frisou Carmo Neto.

O escritor entende que talvez não seja por acaso que o dia 16 de Junho, o Dia da Criança Africana, tenha na sua génese reivindicações sobre a fraca qualidade da educação e aprendizagem e ensino em língua materna de milhares de crianças, adolescentes, jovens e adultos sul-africanos. O escriba recordou que foi por nesse protesto que ocorreu o massacre do Soweto, em Joanesburgo, África do Sul, quando milhares de estudantes saíram à rua em protesto contra a fraca qualidade do ensino e pela necessidade de aprendizagem por via da língua materna.

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