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Funcionários da empresa de Águas de Benguela ameaçam greve

Mais de 500 trabalhadores da Empresa Pública de Águas e Saneamento de Benguela (EASB), afecta ao Ministério da Energia e Águas, ameaçam paralisar as suas actividades laborais, nos próximos dias, caso a entidade patronal não liquide os três meses de salários em atraso

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

A perda de esperanças no salário obriga os trabalhadores da empresa pública de águas a avançarem com a greve, sem que, no entanto, possuam um caderno reivindicativo, como manda a Lei da Greve, ou organizando uma assembleia geral. Há o agravante de não poderem contar com o apoio da representação sindical, porque acham que age à margem dos interesses dos trabalhadores. Os funcionários que preferiram conversar com o OPAÍS sob anonimato alegam que estão há três meses sem ver a cor do salário, uma situação que cria incómodos consideráveis nas suas vidas, principalmente numa altura em que o país atravessa uma crise financeira.

“Lá se foram os tempos em que a nossa empresa era a jóia e tinha muitos recursos, o suficiente para alimentar muita gente”, recorda um dos funcionários, visivelmente insatisfeito com a situação, disposto, entretanto, a avançar com a greve. O Sindicato da Administração Pública, Saúde e Serviços mostra- se, contudo, solidário com os funcionários e dá apenas 20 dias ao Conselho de Administração para que sejam resolvidos os atrasados salariais, sob pena de se desencadear a greve. “O PCA (Jaime Alberto) está preocupado com esta situação. Não devia ficar preocupado com a greve, mas devia ficar preocupado com as pessoas que estão a morrer devido às condições péssimas resultantes destes atrasos”, critica o responsável provincial do referido sindicato, Custódio Kupessala. O sindicalista salienta que a comissão sindical tem estado a negociar com a direcção da empresa no sentido de serem pagos, pelo menos, dois meses, já que para o terceiro mês ainda faltam alguns dias. Porém, contrariamente ao que se previa, o Conselho de Administração resolveu proceder de maneira diferente e nem pagou um mês sequer.

“Dinheiro arrecadado serve para pagar os salários”

Os atrasos salariais estão a criar enormes constrangimentos na vida das cinco centenas de trabalhadores, pelo facto de muitos terem contraído créditos bancários. O líder sindical alerta que, antes mesmo que se parta para a greve, “como último recurso”, é necessário obedecer a alguns procedimentos previstos pela Lei. Os funcionários da EASB queixam- se de que há muitos anos não se observam aumentos salariais e promoções de categoria na instituição. Segundo o líder sindical em Benguela, a informação de que dispõem dá conta de que o Governo, através do Ministério das Finanças, reduziu o subsídio e o dinheiro orçamentado não é regularmente fornecido. Contudo, os funcionários dizem que “o dinheiro que a empresa arrecada serviria muito bem para pagar os trabalhadores”, apontou o sindicalista.

O jornal OPAÍS contactou o Gabinete de Comunicação e Imagem da Empresa, na tentativa de apurar o contraditório, mas este, por sua vez, remeteu-nos ao senhor Manuel Puna, da Comissão sindical da empresa. Entretanto, até ao fecho desta edição, o contacto com o senhor foi impossível. Recorde-se que no ano passado, numa comunicação à imprensa, a direcção da empresa adiantou-se a justificar que registava uma baixa significativa dos subsídios que eram alocados pelo Estado e arrecadados pela mesma, por via de cobranças aos clientes. Os subsídios não faziam face à demanda, devido aos elevados custos de produção. Na mesma ocasião, a EASB apelara à sensibilidade do cidadão para o pagamento pontual das facturas, de modo a permitir- lhe maior capacidade de gestão.

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