loader

País terá leis para combater crimes na Internet

O Presidente da República, João Lourenço, garantiu, ontem, em Luanda, que o país vai contar com um pacote legislativo que salvaguardará a correcta observância dos requisitos de segurança dos dados públicos e privados no uso das tecnologias de informação e de comunicação

POR: Neusa Filipe & Hélder Caculo

O Chefe de Estado fez este pronunciamento na abertura do Fórum das Tecnologias de Informação e de Comunicação “ANGOTIC 2018”, que decorre até 21 de Junho, com foco no potencial e no desenvolvimento das TIC e nas novas soluções de negócios. Preocupado com o ciber-crime e todos os efeitos prejudiciais que podem resultar do uso incorrecto das TIC, João Lourenço disse constituir preocupação do Executivo assegurar um ambiente legislativo que salvaguarde a correcta observância dos requisitos de segurança dos dados públicos e privados. O Presidente alertou que, no mundo globalizado de hoje, a ciber-segurança não deve ser descurada por nenhum dos utilizadores das TIC, começando pelo Estado, pelas empresas e instituições, bem como pelos cidadãos em geral.

“É, por isso, nosso dever promover e incentivar o desenvolvimento e a utilização massiva das tecnologias de informação, mas também alertar os usuários, sobretudo os mais jovens, dos perigos da sua má utilização, para não lesarmos interesses de terceiros”, disse. João Lourenço ressaltou ainda a necessidade de se aumentar a teledensidade e assegurar um nível adequado do seu acesso aos lares, baixar os custos e melhorar a fiabilidade dos serviços. Destacou, por outro lado, que a expansão dos serviços a to-dos os cidadãos, com qualidade e a preços acessíveis, deverá ser uma preocupação permanente do sector.

Nova operadora entra no mercado em breve

Durante o seu discurso, frisou a necessidade da abertura do sector de telecomunicações, com realce para a entrada de novos operadores que poderão tornar o país mais competitivo. João Lourenço destacou a importância do surgimento de outros actores no mercado, o que se espera que aconteça com a emissão de mais uma licença para uma nova operadora de telefonia móvel no país, em função do concurso que garantiu estar a decorrer, bem como a privatização de parte do capital da Angola Telecom. As pequenas e médias empresas que actuam no sector das telecomunicações, as conhecidas Startups também mereceram a atenção do Chefe de Estado, que garantiu uma maior oportunidade aos jovens que pretendam entrar no mercado das TIC.

PR considera indispensáveis as TIC para a inclusão económica e o desenvolvimento sustentável

Relativamente ao desenvolvimento sustentável, João Lourenço considerou importante e oportuna a iniciativa da realização do Fórum Angotic – 2018, num momento em que cada vez mais se impõe a aplicação das novas tecnologias de informação e comunicação nos mais variados sectores da vida económica e social. O Presidente da República acredita que as TIC podem ainda contribuir para a inclusão económica, a reforma do Estado, a boa governação, a modernização e desburocratização do serviço público, assim como o surgimento da economia digital e do ‘governo electrónico’. “É impossível perspectivar o futuro de qualquer empresa, instituição ou país sem uma rede de telecomunicações abrangente, moderna e efi ciente”, declarou. Reafirmou a aposta do Executivo na promoção e no desenvolvimento sustentáveis dos serviços de telecomunicações para satisfazer as necessidades básicas da população, das empresas e dos utilizadores em todo o território nacional.

A experiência de Cabo Verde

O antigo primeiro-ministro cabo- verdiano, José Maria Neves, apresentou a experiência do seu país no que diz respeito a utilização das TIC no processo de governação. O político referiu que Cabo Verde conta com um sistema de gestão de base dados que já conduziu a reformas estruturantes na administração pública. Referiu ainda que hoje as ilhas cabo-verdianas conta com um sistema nacional de identificação que permite a emissão de passaporte electrónico e outros documentos importantes para o cidadão. “Devemos massificar o acesso à Internet gratuitamente, de modo que tenhamos um índice de desenvolvimento económico mais acelerado, com impacto na vida dos nossos cidadãos”, referiu José Maria Neves.

País tem mais de 13 milhões de usuários de telemóvel

Estima-se que em Angola existam cerca de 13 milhões de usuários de telemóvel e 5 milhões de usuários de Internet, o que torna o país num mercado competitivo para novos negócios. O Fórum das Tecnologias de Informação e Comunicação “ANGOTIC 2018”  decorre até ao dia 21 de Junho, em Luanda com foco no potencial e desenvolvimento das TIC e nas novas soluções de negócios. Durante três dias estarão em análise diversos temas, com destaque para a “Estratégia das TIC na modernização e desburocratização do serviço público, “Factores determinantes para a melhoria do ambiente de negócios”, “O impacto do comércio electrónico nos diferentes sectores” e “As TIC e o “Empoderamento das mulheres”. O evento, que reúne mais de 3000 participantes, entre individualidades, representantes de empresas públicas e privadas do sector das telecomunicações, serviços postais e estudantes, conta com 45 oradores, entre nacionais e estrangeiros. À margem do fórum decorre uma feira de Start-Up, em que participam cerca de 30 expositores, na sua maioria jovens empreendedores que procuram por potenciais investidores e novas oportunidades no mercado.

ANGOTIC 2018

“Angola ICT Fórum” combina um fórum e uma exposição global de tecnologias de informação e de comunicação para partilha de conhecimentos e um centro de networking para entidades governamentais, actores estabelecidos da indústria e provedores de serviços móveis emergentes.

 

Últimas Notícias