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O lixo de Benguela

Benguela deixou de ter contentores de lixo nas ruas desde ontem. A jornalista deste diário, no título, da sua notícia, dizia que os benguelenses passariam a depositar o lixo no chão. Numa primeira reacção, parece que vem aí uma hecatombe de saúde pública.

POR: José Kaliengue

E pode até vir, mas não é uma fatalidade. Em primeiro lugar, porque, como se pode facilmente constatar, o negocio do lixo serviu mais para enriquecer os “esquemáticos” de sempre do que para sanear e manter os espaços verdadeiramente limpos. O Estado foi lesado em muitos milhões, ao mesmo tempo que continuaram alegremente a progredir doenças como a malária, a febre-amarela, a cólera e outras ligadas sobretudo ao mau saneamento do meio e ao não tratamento adequado da água. Porém, quem vá ao Huambo, por exemplo, verifi cará, seguramente com muita facilidade, que a ausência de empresas privadas no saneamento até pode ter efeitos positivos. O Huambo está limpo. Não apenas na sede provincial, em todos os municípios. Então, fi – ca fácil concluir que se pode aplicar o dinheiro noutras necessidades e apenas parte dos milhões que eram canalizados para os esquemas (empresas sem conhecimento, sem capacidade e sem vocação para o serviço do lixo) pode, sim, manter as cidades limpas. É só municipalizar o serviço e haver vontade e responsabilização. Esta pode bem ser uma libertação necessária.

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