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Grua instável do Prenda pode ser removida

A torre tem estado a inclinar-se nos últimos anos. Este mês forçou alguns moradores a abandonarem as residências. Cerca de 20 casas foram cadastradas para demolição

Texto de: Milton Manaça

Começaram, ontem, os trabalhos destinados a remover uma grua instalada no bairro Prenda desde os anos 1970 para servir de apoio à construção de alguns edifícios (lotes). Nos últimos meses esta tem estado a “mover-se”, colocando em perigo a vida dos habitantes daquele bairro. No princípio da manhã de Quinta- feira, a empreiteira Mota Engil deu início à construção de uma base de betão armado, já que a anterior foi desgastada pelo tempo e encontra-se em estado de degradação, o que tem levado a grua a “mexer-se”.

A grua está rodeada de várias residências e alguns casebres, o que impede o acesso das máquinas ao local para a sua remoção. Os moradores aplaudem a iniciativa, todavia, não estão convictos de que a medida vá garantir, efectivamente, a remoção da grua. Segundo Luís Kambundu, morador do Prenda há 30 anos, por ali já passaram várias empresas que fizeram estudos para a remoção do material, mas tudo ficou no papel e nenhuma medida concreta foi tomada.

“Os engenheiros que aqui passaram disseram que isso pode cair a qualquer momento, mas não estamos a ver nada resolvido”, disse. A mesma opinião foi manifestada por Rita da Silva, de 45 anos, uma moradora que foi acolhida por uma vizinha depois de ver  se obrigada a abandonar a sua casa por causa das fissuras causadas pelos movimentos da grua.

A interlocutora construiu a sua casa por baixo da grua, há 20 anos, e reconhece o seu erro, mas espera que o seu problema, e das demais famílias que se encontram na mesma condição, seja resolvido.

“A minha casa foi a primeira a ser afectada pelos movimentos da grua e as minhas coisas encontram- se fora, enquanto eu e os meus filhos estamos na casa da vizinha. Não sabemos que destino teremos”, comentou.

“Somente a base de betão não resolve o problema”

O presidente da Comissão de moradores do Lote 22 e arredores disse que até ao momento não lhes foi dada uma explicação concreta acerca do destino a dar à grua, estando a população a acompanhar apenas a movimentação dos técnicos da empreiteira. “O nosso desejo é que se resolva o problema definitivamente, com a  retirada da grua, porque ela já entrou em estado de falência, e só a base de betão não resolve o problema”, previu.

Nelson Borges disse que, desde o seu abandono, a grua sempre girou, mas no dia 6 deste mês teve uma inclinação anormal e passou a oscilar quase diariamente por falta de sustentação na base.

Os técnicos em serviço evitaram fornecer detalhes. Na hipótese de a base de betão ser implantada, o guindaste será removido, ou não, pois, segundo Nelson Borges, há rumores segundo os quais os trabalhos não prosseguirão porque as residências deverão ser partidas.

Quanto a destruição das casas e a possível transferência dos moradores, Nelson Borges declarou que até agora não lhes foi revelado nada pelas autoridades, apesar de que 20 casas estão cadastradas. A grua, com cem metros de comprimento, pesa acima de duas toneladas, e em torno dela foram construídas mais de 40 casas, entre definitivas e casebres.

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