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Galeria de artes do Banco Económico em Luanda acolhe exposição “Ser. Cidade”

A mostra, com a curadoria de Sónia Ribeiro, junta quatro dos mais conceituados artistas contemporâneos de Angola, Cristiano Mangovo, Nelo Teixeira, Ricardo Kapuka e Paulo Kussy, em torno de uma reflexão sobre o conceito existencial de cidade

Texto de: Augusto Nunes

Mais 28 obras de pintura, desenho, instalação, escultura e videoarte compõem a exposição “Ser. Cidade”, dos artistas, Cristiano Mangovo, Nelo Teixeira, Ricardo Kapuka e Paulo Kussy, inaurada Quinta-feira, 21, na Galeria Banco Económico, em Luanda. A mostra, que ficará patente ao público entre os dias 21 Junho e 27 de Julho, é um desafio da This is Not a White Cube Gallery e do Banco Económico aos criadores angolanos para uma reflexão artística sobre o conceito de cidade.

O conceito desta prestigiada colecção, segundo a curadora Sónia Ribeiro, partiu do princípio de que reconhecer as conexões entre experiências urbanas e estímulos sensoriais fornece maneiras diferenciadas de explorar as acções e interacções entre indivíduos e suas relações com os lugares urbanos, as suas cidades.

A curadora recordou igualmente que a selecção de criadores para esta exposição foi bastante criteriosa e procurou reunir precisamente alguns destes criadores.

“Cristiano Mangovo, por exemplo, acaba de ser galardoado com o Grande Prémio ENSA Arte, e o Ricardo já ganhou este prémio em 2016”. Nelo Teixeira expôs na Bienal de Veneza, em 2015, e dois destes artistas, Cristiano Mangovo e Nelo Teixeira vão estar representados na FNB Joburg Art Fair, uma feira de arte internacional em Joanesburgo, em Setembro de 2018.”

Chama a atenção do público, nesta exposição, a excelência na qualidade das obras e o facto de os artistas terem caprichado bastante na nas suas criações.
os artistas Cristiano Mangovo, um dos seleccionados para esta exposição, através da sua criatividade, faz um exercício sobre o equilíbrio do poder e suas contradições, entre uma sociedade que está em constante mudança e o questionamento dessa mesma sociedade.

O artista representa uma nova geração de artistas socialmente focados em contribuir para uma África melhor e cada vez mais auto-consciente. Inspirado por um país que ainda está forjando a sua própria posse e sua própria identidade pós-colonial, depois de muitos anos de conflito, o seu trabalho é cada vez mais inovador para um comentário social convincente, com fortes elementos psicanalíticos.

Ricardo kapuka

O artista representa, de todas as formas possíveis, realidades da vivência humana e, em específico, do seu quotidiano. Pretende levantar questões pertinentes, não verdades absolutas de certa forma apelativas, usando os meios visuais e plásticos, na criação de conteúdos que documentam o meio em que o artista se insere.

Como criador, procura que a mensagem seja directa e objectiva, daí o figurativo, abstrações só muito subliminarmente, dando particular atenção ao desenho como ponto de partida. Tecnicamente falando, tem a pintura e a ilustração como base de expressão, utilizando vários materiais, nomeadamente tecidos, colagens, acrílico.

Em resultado do desenvolvimento económico nas últimas décadas, Luanda distingue-se pelos seus edifícios altos e estruturas modernas que contrastam muitas vezes com a degradação das restantes infra-estruturas e com a degradação do meio ambiente.

O lixo visível faz parte do cenário e do quotidiano da população. Nelo Teixeira vive no Musseque e é um artista da sua actualidade. Rodeado de casas fabricadas pela população, muitas vezes transformando, intervindo, adaptando, reinventando objectos encontrados ou chegados até si pelo arrasto das águas que circulam no musseque, encontra ali o seu lar.

Paulo kussy

Já as obras de Kussy transportamnos para espaços arquitectónicos e surrealistas, nos quais corpos escultóricos, estilizados e alongados, surgem inusitadamente numa conquista pelo protagonismo pictórico. Nestes espaços, nenhuma acção ocorre de um modo normal, previsível. Ora um torcer, ora um alongamento, uma perfuração, todos os cenários são equacionados de um modo biomecânico.

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