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Pediatras alertam para o aumento de casos de malnutrição

Grande parte dos casos da doença que o país tem vindo a registar está ligada a má alimentação e a doenças graves como o VIH, à Tuberculose e à má-formação congénita

Texto de: Domingos Bento

O presidente da Sociedade Angolana de Pediatria, Cesar Freitas, revelou a OPAÍS, em Luanda, que a quantidade de crianças com malnutrição tende a aumentar este ano, afligindo maioritariamente as de 0 aos 5 anos de idade. Com a agravante de grande parte das ocorrências darem entrada tardiamente nos hospitais, o que dificulta o processo de tratamento dos pacientes.

O médico explicou que o grosso de casos de malnutrição que o país tem vindo a registar está ligado, essencialmente, à má alimentação e a doenças graves como o VIH, a Tuberculose e à má-formação congénita.

Sem avançar números concretos, o responsável fez saber que, em comparação com os anos anteriores, há um aumento considerável de casos da doença, pelo que há a necessidade de se redobrar esforços nos cuidados e nas acções preventivas com vista a alterar o actual quadro.

Segundo Cesar Freitas, muitas crianças dão entrada nos hospitais com o quadro clínico grave da doença, porque as progenitoras ou outros responsáveis por elas apercebem-se tardiamente da doença.

Esta situação tem feito com que algumas não cheguem a recuperar ou tenham um processo de tratamento longo. Neste sentido, em seu entender, estar atento aos primeiros sinais da doença pode impedir que muitos menores vão parar às urgências ou fiquem em estado irreversível.

De forma a travar os casos, o presidente da Sociedade Angolana de Pediatria aponta para a necessidade do reforço das dietas alimentares, sugerindo às famílias a escolha de alimentos saudáveis e pouco industrializados, a dosagem correcta de fármacos e o cumprimento do aleitamento materno, no mínimo, até aos primeiros seis meses de vida. “Se melhoramos a dieta alimentar poderemos reduzir os elevados casos da doença.

E isso passa pela implementação de medidas simples, embora tenhamos os casos das infecções como a tuberculose e o VIH, cujas medidas para o seu tratamento carecem de mais orientações específicas dos profissionais de Saúde”, frisou.

Queda de outras doenças

Por outro lado, Cesar Freitas fez saber que, apesar de ainda estar em curso o balanço das actividades médicas de assistência às crianças, referente aos primeiros seis meses do ano, dados preliminares indicam para uma redução no número de casos de algumas patologias, como as doenças diarreicas, as respiratórias e a malária.

“Ainda estamos a trabalhar com dados preliminares, mas a redução de casos destas doenças, sobretudo a malária, teve um impacto satisfatório nos casos de óbito. Registamos poucas mortes, se comparamos a 2015 e 2016”, frisou.

Embora ainda existam muitos desafios a serem vencidos, o nosso interlocutor disse acreditar que “o melhoramento do saneamento básico e as fracas chuvas que caíram estiveram na origem desta diminuição.

O balanço continua em curso e em breve faremos a apresentação oficial de todos os dados mais concretos”.

Atendimento mais fluido

O presidente da Sociedade Angolana de Pediatria disse ainda que, nestes primeiros seis meses de 2018, a sua organização registou, com satisfação, que houve uma melhoria na qualidade de atendimento aos menores que deram entrada nas diversas unidades hospitalares do país, sobretudo em Luanda, que continua a ser o centro de todas as ocorrências.

De acordo com Cesar Freitas, de Janeiro até à primeira quinzena de Junho houve mais humanização no atendimento nas unidades hospitalares, quer nos serviços de urgência, quer nas consultas externas.

Essa situação, no entender do médico, permitiu a rápida melhoria de menores e a satisfação dos próprios pais. “Se o tratamento é eficaz, célere e com qualidade, rapidamente o paciente vê o seu estado recuperado.

E estamos felizes com os dados preliminares destes primeiros seis meses do ano, porque mostram indicativos muito positivos”, concluiu.

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