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Lixo mata cerca de 100 mil mamíferos e um milhão de aves no mar

O lixo contribui drasticamente para o aumento da poluição marinha e é responsável por diversos problemas ambientais. Para tentar conter tal situação, o Ministério do Ambiente prevê realizar campanhas de limpeza nas praias de todo o país. Ontem, a Praia das Mangueirinhas foi limpa

POR: Stela Cambamba

Cerca de 100 mil mamíferos e um milhão de aves marinhas morrem anualmente em consequência do lixo que é depositado no mar, revelou ontem, em Luanda, o secretário de Estado das Pescas, Carlos Martino Cordeiro. O governante fez tal pronunciamento à margem da campanha de recolha de lixo na praia das Palmeirinhas, bairro do Ramiros (Luanda), no quadro dos compromissos de manter o mar mais verde, realizada pelos Ministérios do Ambiente e das Pescas e do Mar, em parceria com o grupo de Pesca Desportiva de Angola.

Recordou aos participantes que oceanos e mares são fundamentais só para a conservação e preservação das espécies e da biosfera, como também para o desenvolvimento sustentável do planeta e da economia azul. Tendo em conta que, sublinhou, o país é um Estado com mais de 1.650 km de costa, com abundantes e ricos recursos marinhos e uma invejável diversidade biológica. Por seu turno, o secretário do Estado do Ambiente, Joaquim Manuel, reforçou que se classificou o mar como a economia do futuro, pelo que se deve cuidar. Explicou que a sua instituição está trabalhar com objectivo de eliminar os “resíduos plásticos” através de incentivos de utilização de outros materiais, realçando a sua valorização e sensibilização, de modo a minimizar o impacto do plástico na biodiversidade marinha.

Segundo Joaquim Manuel, os estudos ambientais desenvolvidos apontam que até 2050 haverá mais plásticos no mar do que peixe, a nível mundial. Angola não está fora desta problemática. Para tentar evitar tal situação, avançou, serão realizadas campanhas do género a nível do país. Por agora, o Ministério do Ambiente está a trabalhar para desincentivar o uso de plásticos e apresentar as alternativas, entre elas embalagens de papel, as biodegradáveis. “Estamos a estudar os métodos de como introduzir o material no país e retirar o plástico da nossa convivência”, frisou o secretário do Estado do Ambiente. A Federação Angolana de Pesca Desportiva aderiu à campanha com a finalidade de sensibilizar as pessoas de que o plástico é uma preocupação relevante, tendo em conta que afecta os ecossistemas marítimos e costeiros, segundo o seu representante no evento.

Diz que esta preocupação não é do futuro, mas de momento, tendo em conta que a sociedade pode travar esta evolução. Em função disso, a sua instituição, em conjunto com o Clube Náutico da Ilha de Luanda, os escuteiros e os amigos do ambiente deslocaram-se até a Praia das Mangueirinhas para recolher o lixo. Essa Federação defende que se deve sensibilizar as pessoas de modos a não deitarem lixo nos canais de rios secos, mas sim em contentores. Marcelino Francisco, membro do Núcleo de Pesquisa e Gestão Ambiental, considera que todos os cidadãos devem participar em actividades do género, tendo em conta que um ambiente sadio é sinónimo de saúde das pessoas.

No seu entender, actividades do género acabam por despertar o baixo nível de informação que a população tem em relação ao ambiente, funcionando como um chamariz. “De lembrar que a biodiversidade funciona como um círculo que se nós prejudicarmos, estaríamos também a lesar o nosso bem-estar”. De realçar que já existem no país fábricas de reciclagem que compram plásticos e alumínio. A campanha contou ainda com a participação de funcionários do Governo Provincial de Luanda, de associações ambientais, escuteiros, entre outros convidados.

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