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Administração de Benguela tem falhado na recolha do lixo

Os cidadãos estão descontentes com a nova realidade de Benguela, de se deitar o lixo no chão. Nesta primeira semana foi visível a incapacidade da Administração Municipal de Benguela quanto à recolha do lixo. Pelo menos um ponto houve, no centro da cidade onde o lixo não foi recolhido durante toda a semana

POR: Zuleide de Carvalho,
em Benguela

O Governo Provincial de Benguela anunciou há uma semana que, desde 20 de Junho de 2018, nos 4 municípios do litoral, a recolha dos resíduos sólidos urbanos passou inteiramente para a responsabilidade das administrações municipais. Medida tomada, não porque estes órgãos estejam capacitados para assumir tal tarefa, mas porque, o Governo não tem verbas para pagar às empresas prestadoras do serviço, devendo a uma mais de 44 milhões de dólares.

Esta problemática é mal vista pelos cidadãos, notando estes desde o primeiro dia da recolha de resíduos, passada Quarta-feira, que o chão do município sede está consideravelmente mais sujo, pois não há contentores nas ruas. A empresa “Vista”, maior parceira do Governo por sete anos, retirou Quinta-feira os seus últimos contentores espalhados pela cidade das Acácias Rubras. O PAÍS testemunhou um camião a removê- los do quintal de uma unidade policial. Nesta acção de recuo, nem o Hospital Geral de Benguela escapou à retirada, passando a ter alguns aglomerados de lixo no chão, dentro do recinto, perigando a saúde de quem lá vai receber cuidados médicos.

A Administração não está capacitada

A Rua dos Açores, no centro do município, a 2 quarteirões do Governo, desde que a Administração Municipal assumiu a recolha do lixo, nunca foi contemplada, acumulando lixo e mau cheiro há 7 dias. O lixo tem sido depositado no chão pelos residentes, sem sacos, contrariando o pedido feito pelo governador em exercício, Leopoldo Muhongo. E, os poucos sacos amarrados, são rasgados por cães, espalhando o lixo pelo passeio. A munícipe Elisa Santos lastimou: “agora, em qualquer esquina encontra-se lixo porque não há um lugar indicado. A população não está educada, não tem essa cultura”, de amarrar o lixo de suas casas em sacos. As pessoas “vêm com baldes de lixo e despejam no chão”. Se amarrassem em sacos “facilitaria os recolectores de lixo, sacos não são caros. Vamos ao supermercado, aqueles sacos, podemos aproveitar para amarrarmos o lixo.

” Os ambientalistas João Buaio, Isaac Sassoma e Martins Domingos reprovam esta forma “nada cívica” de se desfazer dos resíduos urbanos, porém, condenam ainda mais o uso de sacos de plásticos, pelo perigo iminente para o ambiente. Há, assim, um choque directo entre o prisma de observação dos ambientalistas e as orientações dadas pelo Governo Provincial, de se amarrar o lixo em sacos plásticos e depositá-los nos pontos de recolha pré-definidos. João Buaio, mestre em Ambiente, alerta para a aproximação da pluviosidade, pois, se o Governo não arranjar meios de depósito de lixo apropriados, as águas arrastarão o lixo pela cidade, que se inunda quando chove. O engenheiro ambiental Isaac Sassoma defende que o lixo no chão é um dano directo para o meio e, para além do mau odor, cria condições propícias para o surgimento de vectores, prejudiciais à saúde. Ressaltou que Benguela já foi renomada pelo ar limpo e cuidado. Agora, altura em que, economicamente, mais se precisa de atrair turistas, os amontoados de lixo pela zona urbana afastam ainda mais essa possibilidade.

Lixo vs. Ambiente, uma questão legal

Para o ambientalista Martins Domingos, o Governo tem a obrigação de comprar contentores de lixo e distribuí-los pela cidade. Contudo, acha vital dar-se a conhecer a Lei Ambiental aos cidadãos, para se punir quem desrespeitar. Assim, o Estado deve penalizar todos os que danifiquem os solos e canais de água, pois são aos milhares, fazendo-o repetidas vezes, diariamente, criando pequenas lagoas e lixeiras em frente das suas residências, nos bairros. Deste modo, aconselhou ao Governo e administrações municipais a velarem por isso urgentemente, face à problemática do lixo, tendo a província sido chamada a tentar arranjar formas de combate, numa reunião aberta, dia 21. Leopoldo Muhongo, governador provincial em exercício, orientou no debate “uma abordagem mais transversal sobre o saneamento básico, olhando para factores que se traduzem num défice na qualidade de vida, doenças que em muitos casos terminam em morte”. No final do encontro, do Governo ficou a promessa de que as sugestões feitas pelo público, representando a sociedade seriam devidamente analisadas e as praticáveis deverão ser postas em acção o mais brevemente possível. Entretanto, na noite de Sexta-feira, a TV ZIM BO noticiou que o Governo provincial irá adquirir 100 contentores de lixo plásticos, para espalhar pela zona urbana da sede municipal e 20 barcas metálicas para a periferia.

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